Foto: Valquir Aureliano/O Estado

Rapidamente, Gilberto Pereira ficou isolado, sem apoio da diretoria e do comando do futebol.

O Coritiba deve anunciar hoje Guilherme Macuglia como novo técnico, depois da surpreendente saída de Gilberto Pereira. Após apenas dois jogos comandando o Alviverde e com resultados abaixo do esperado, o ex-treinador se reuniu com a diretoria e pediu para deixar o clube. Num lance rápido, os dirigentes já acharam o substituto, que ?conhece o elenco e o futebol paranaense?. O ex-comandante do Criciúma na Série C do ano passado se mostrou surpreso com a sondagem e deixou no ar a possibilidade de assumir o Coxa.

?Que bom que estão falando do meu nome aí. Algumas pessoas conversaram comigo, mas não posso dizer nem que sim, nem que não, que vou assumir o Coritiba?, despistou Macuglia, que estava em sua casa em Porto Alegre. No ano passado, ele já havia sido sondado pelo clube ainda quando disputava as finais da Terceirona pela equipe catarinense. ?Saí do Criciúma porque queria dar um novo rumo à minha carreira e o meu empresário falou em sair do País. Mas, como está difícil algo no exterior resolvi voltar a investir na minha carreira no Brasil?, disse.

Apesar de já ter anunciado a contratação do novo profissional, o coordenador João Carlos Vialle resolveu fazer mistério. ?O novo treinador já está contratado.

É um profissional jovem, que está na faixa dos 45, 46 anos e que já tem título no currículo?, despistou. O perfil recai sobre Macuglia, que tem 46 anos e foi campeão da Série C pelo Criciúma.

Além de ex-treinador do Tigre, foram cogitados nomes como o de Luís Carlos Barbieri (ex-Guarani), Lori Sandri (ex-Paraná) e Adílson Batista (ex-Jubilo Iwata). Quem assumir a equipe já estréia domingo, contra o J. Malucelli.

Quanto à saída de Gilberto, Vialle disse que houve diferenças de filosofia entre as partes. ?O Gilberto conversou comigo e como existia uma série de divergências em termos de funcionamento do clube, que ele não pensava que fosse como é, chegamos a um acordo para a saída dele?, explicou. Desde quarta-feira, mesmo antes da partida contra o Engenheiro Beltrão, Gilberto já havia procurado alguns dirigentes e deixado claro que não estava satisfeito. Como o futebol apresentado pela equipe não foi dos melhores e o empate contra o Engenheiro Beltrão foi conquistado a duras penas, a saída foi confirmada ontem à tarde.

Reforços

Ao mesmo tempo, o Coxa anuncia a contratação do atacante Edmílson e de ?titulares? e prepara mais uma lista de dispensa. ?É evidente que traremos mais gente, mas só iremos trazer jogadores para serem titulares ou que fiquem na reserva e participem do grupo principal?, anunciou o coordenador de futebol.

Com isso, jogadores que mal chegaram ao clube e outros que já estavam, correm o risco de ir embora.

Gilberto pula antes do barco afundar

Para o ex-treinador do Coritiba, Gilberto Pereira, o ambiente no clube vinha se deteriorando e ele preferiu tomar a iniciativa de ir embora agora. ?As coisas já não vinham bem faz tempo. Estava ficando pesado, com umas contratações e pressões sem o devido tempo de se fazer o trabalho?, disse o treinador. Um reflexo disso, de acordo com ele, eram suas próprias entrevistas. ?Eu já vinha falando algumas coisas porque estava me sentindo muito pressionado?, declarou.

Segundo o treinador, não houve nenhuma interferência para escalar esse ou aquele jogador, mas os reforços não estavam agradando. ?Não estava sendo consultado com relação a contratações e não quero falar em nomes para não prejudicar a carreira de nenhum atleta?, apontou. Insatisfeito com os rumos da equipe e pressionado para fazer o time jogar mais, ele preferiu sair agora para não piorar a situação do clube, nem a dele. ?Se não estou satisfeito num lugar, não será o dinheiro que vai me prender?, destacou.

Agora, Gilberto vai descansar e reorganizar a vida. ?Comprei um apartamento em Curitiba e, independente de estar trabalhando por aqui, quero me estabelecer na cidade?, finalizou. Contratado em 7 de dezembro para tentar levar o Alviverde de volta à Série A do Brasileirão, ele chegou com bons trabalhos no currículo como os realizados no Iraty, na Adap e no Palmeiras B. Acabou ficando apenas 40 dias como comandante da equipe e vai embora com um empate e uma derrota em duas partidas à frente do Coxa.