Bonamigo conversa com Edu Sales,
que volta a comandar o ataque.

Está chegando a hora. O Coritiba está pronto para a segunda batalha da final do campeonato paranaense, amanhã, às 17h, contra o Paranavaí, no Couto Pereira. É uma partida recheada de empolgação, que tomou conta das ruas da cidade e da torcida alviverde. Nesse contexto, o técnico Paulo Bonamigo tenta a primeira vitória da decisão: antes de vencer o ACP, o Cori tenta derrotar o “já-ganhou”.

A sensação de que tudo está programado para uma grande festa no Couto Pereira provoca urticária no técnico alviverde. “Nós temos uma partida, e é nos noventa minutos que vamos conhecer o campeão”, adverte. “Se o Paranavaí chegou, é porque tem qualidades. E, acima de tudo, é uma equipe experiente, e eu respeito muito essa experiência deles”, completa Bonamigo, que já sentiu na pele os problemas causados pelo excesso de otimismo.

O exemplo para o Coritiba é próximo e recente – a partida contra o Figueirense, pelo campeonato brasileiro do ano passado. Com a classificação encaminhada, o Cori entrou em campo com certeza em demasia da vitória. E foi isso que o fez perder. “Quando o time entrou em campo, percebemos que não ia dar certo”, relembra um dirigente.

E como aquele time era mais experiente que o de hoje, todo cuidado é pouco. A cada treino, uma conversa de no mínimo meia hora – e nela Bonamigo alertava os jogadores para os riscos da euforia exagerada. O treino de quarta, no Couto Pereira, chegou a assustar o treinador, pois havia quase quinhentas pessoas acompanhando o coletivo. Mais: alguns torcedores já ostentavam as faixas de campeão. E até uma taça percorria as cadeiras.

O técnico alviverde não quer que os torcedores parem de festejar, mas quer evitar que isso passe para o elenco. E isso acontece em duas frentes: na óbvia, os jogadores poderiam entrar no clima de festa; na mais profunda, eles podem perceber a extrema pressão que os acompanha nesse momento. “A torcida está esperando esse título há muito tempo”, confessa o goleiro Fernando.

Não só a torcida. O título é fundamental para todos no Alto da Glória. Jogadores, técnico e dirigentes necessitam da taça para consolidar seus trabalhos. “Hoje nós só podemos pensar nesse momento decisivo. O campeonato tem um valor importantíssimo para o clube”, reconhece Bonamigo. E com tanta ansiedade, o treinador só pensa em passar calma para todo mundo – até para ele. “Nós precisamos confiar no trabalho que fizemos. Vamos acreditar na gente, mas sempre respeitando o Paranavaí”, finaliza.

Pronto

Ontem foi um dia de ajustes. Com a equipe definida, Bonamigo trabalhou detalhes específicos da partida de domingo, como jogadas de bola parada. A preocupação do técnico alviverde é evitar que o Paranavaí explore as bolas alçadas à área, o que aconteceu no sábado passado e acabou abatendo as “defesas antiaéreas” do Cori.

Só Brum disputa o “bi”

Apesar do Coritiba não conquistar um título paranaense desde 1999, há um jogador que tenta amanhã ser bicampeão estadual. Só podia ser Roberto Brum, que levantou a taça do campeonato carioca no ano passado e agora tenta seu primeiro triunfo no Alto da Glória. E se o amor pelo Fluminense permanece, hoje ele também é um coxa-branca de coração.

Isso faz com que o “Senador” acabe extravasando emoções, como aconteceu na partida contra o Ituano. Mesmo vencendo, o Cori foi eliminado, e os aplausos depois do jogo quase venceram Brum. Emocionado, ele deixou o campo com os olhos marejados. Tal reação apenas comprova a simbiose que há entre ele e os torcedores. Ele, na verdade, transforma-se em mais um deles, só que no gramado.

E por entender (e viver) as emoções da torcida do Coritiba, Brum sabe que o momento é especial. “Nossa galera está ansiosa para que o jogo aconteça, e é claro que espera que nós consigamos o título”, afirma. Mas a porção jogador dele entra em campo nesse momento para manter a serenidade. “Não há nada ganho. Temos a vantagem mas precisamos respeitar o Paranavaí, que fez uma ótima campanha”, ressalva.

Mas o jogo é no Couto Pereira, pensa o torcedor Roberto Brum. “Em nosso campo, temos que tomar a iniciativa, ainda mais porque serão mais de quarenta mil coxas empurrando a equipe”, diz o volante, que volta então a ser tomado pelo jogador-chave do esquema de Paulo Bonamigo. “É uma situação confortável porque temos a vantagem do empate. Mas não podemos ficar jogando pelo empate. Precisamos jogar com inteligência para conseguir o título”, afirma.

Título, palavra mágica para um jogador de futebol. Se o gol é importante, o título é fundamental. E ganhar o campeonato paranaense significa acabar de vez com dúvidas que perseguiram Brum desde que ele chegou ao Alto da Glória, no início do ano passado. Ele respondeu muitas delas em campo, com boas atuações – neste Paranaense, o “Senador” é um dos destaques do Cori. E com uma vontade que surpreende a cada momento, criando ainda mais uma unidade entre o Roberto Brum jogador e o Roberto Brum torcedor. (CT)

Só o portão 10 não será usado pelo Coxa

A diretoria do Coritiba anunciou ontem a divisão oficial dos locais e dos portões que serão utilizados no Alto da Glória no domingo. Como apenas dois mil ingressos foram disponibilizados para a torcida do Paranavaí, apenas um portão dará acesso ao estádio para a torcida visitante – o 10, que fica na rua Floriano Essenfelder.

De resto, todo o espaço do estádio ficará reservado para a torcida coxa, inclusive as cadeiras da Rua Mauá. Apesar de estarem sendo feitas obras no local, foi feita uma proteção para que não sejam aproveitados os entulhos que estão no chão. Para quem vai ver o jogo pelas arquibancadas, os portões serão os 1, 3 (que ficam na Mauá), 4 e o que fica ao lado da sede administrativa do Cori.

Para os que vão ficar nas cadeiras, o acesso na rua Mauá será pelo portão 2. Do lado oposto, a entrada será pelo portão 6, enquanto o acesso para as cadeiras superiores será feito pelos portões 5, 7 e 9. Por sinal, quem não pagou a manutenção das cadeiras tem até hoje às 18h para regularizar suas situações.

Polícia

A PM destinou um contingente de 350 homens para trabalhar no Couto Pereira e nas imediações do estádio coxa, sob comando do capitão Douglas Dabul. Além disso, será feito trabalho preventivo nos terminais, para que se evitem confrontos entre gangues infiltradas. Outra preocupação da polícia é conter os torcedores que queiram invadir o gramado depois do jogo.