Pelo menos seis capitais brasileiras devem receber, a partir deste ano, exposições itinerantes de parte do acervo do Museu Olímpico, cuja sede é em Lausanne, na Suíça. Em 29 de janeiro, o museu será fechado para uma grande reforma, que deverá durar quase dois anos. E o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) está próximo de fechar o acordo para expor cerca de 800 peças no País durante 14 meses. A primeira cidade a receber o projeto será o Rio, em outubro, em local ainda não definido.

O acervo do museu em Lausanne – sede do Comitê Olímpico Internacional (COI) -, visitado anualmente por mais de 200 mil pessoas, inclui peças como o uniforme usado pelo norte-americano Jesse Owens nos Jogos de Berlim, em 1936, quando ganhou quatro medalhas de ouro e calou a Alemanha nazista de Hitler. Há também o uniforme que a brasileira Jacqueline Silva usou na conquista da medalha de ouro do vôlei de praia, nos Jogos de Atlanta, em 1996, quando formava dupla com Sandra Pires.

Na Suíça, a exposição permanente conta com peças também dos Jogos Olímpicos de Inverno, mas essas não devem vir para o Brasil. “Não nos interessam tanto, os de verão são muito mais a nossa cara”, disse a diretora cultural do COB, Christiane Paquelet. Ela ainda negocia com museus de São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Curitiba para receber o acervo.

Para Christiane, não é possível avaliar qual seria o valor de mercado das peças. “Mas há alguns exemplos, como a tocha olímpica usada em Helsinque nos Jogos de 1952. Existem pouquíssimos exemplares no mundo: 10 ou 12. A última que foi vendida, em Paris, foi arrematada por 500 mil euros em leilão”, contou a diretora do COB.

A ideia, segundo ela, é fazer exposições gratuitas para estudantes. “Queremos começar a mostrar para as crianças, de forma lúdica, que o esporte vai além da competição”, disse Christiane. Em Lausanne, a entrada no museu será gratuita até o fechamento para a reforma. Além do Brasil, Inglaterra, França e Catar devem receber exposições itinerantes.

Enquanto isso, o COB espera inaugurar o Museu Olímpico Brasileiro até 2016. Inicialmente, seria instalado na zona portuária do Rio, que passa por revitalização para a Olimpíada, mas pode ser levado para o Parque Olímpico, que será construído na Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade. “Temos um acervo respeitável, em torno de duas mil peças”, revelou Christiane. “Mas, neste momento, nossa prioridade é trazer a exposição do COI.”