Montillo vai jogar solto do meio para frente, mais perto de Neymar e sem a obrigação de marcar a saída do volante adversário. Era assim que Muricy Ramalho jogava no São Paulo no final dos anos 70 e início da década de 80. E é assim que o treinador santista quer ver o jogador argentino jogando, já na partida de domingo, contra a Ponte Preta, em Campinas.

“Montillo não é armador. Ele é meia-atacante. É o que no meu tempo se chamava de ponta-de-lança, posição em que eu jogava, voltando para compor o meio, mas quando o time retoma a bola vai agredir o adversário”, disse Muricy nesta sexta, depois de dar um treino técnico de uma hora e meia no CT Rei Pelé.

Com o novo posicionamento, Montillo vai ter a primeira oportunidade para mostrar o seu verdadeiro futebol. Até agora, ele vinha atuando mais atrás, na função de meia, e por isso ainda deve uma atuação que justifique os mais de R$ 16 milhões que o Santos investiu na sua transferência para a Vila Belmiro, na mais cara contratação da história do clube.

Para escalar Montillo onde ele rende mais foi preciso uma conjunção de acontecimentos. O principal foi a recuperação de Marcos Assunção. Como Muricy não quer abrir mão de nenhum dos seus talentos do meio-campo, foi preciso sacrificar um jogador de frente. Renê Júnior é indispensável pelo poder de marcação, Arouca tem lugar garantido pela qualidade no desarme e na condução da bola para o ataque, Marcos Assunção acrescenta muito em razão da experiência, bom passe e alto aproveitamento nos lances de bola parada e Cícero tem seu espaço garantido por ser jogador de múltiplas funções.

A interminável má fase de André, que não faz gol desde outubro do ano passado, mesmo tendo se submetido a um treinamento físico especial e voltado ao peso ideal (85 quilos) e a contusão de Miralles (sofreu edema na parte posterior da coxa esquerda na derrota contra o Paulista) facilitaram para que Muricy fizesse a mudança sem traumas. Sem o atacante que atua pelos lados do campo e vinha fazendo gols (Miralles) e com o jogador de área que faz a parede em baixa (André), o treinador resolveu adotar o sistema da moda, o 4-5-1, sem centroavante. E se der certo, vai continuar. Ao ser perguntado sobre o que espera do time na nova concepção tática, Muricy brincou.

“Vou ver antes e falar depois do jogo, como fazem os comentaristas de futebol. Esperar para ver se vai funcionar ou não sem o cara de área e com a aproximação melhor de Cícero e Montillo, inclusive aproveitando Assunção e Arouca com mais liberdade”, completou Muricy.