O mais velho e laureado contra o mais precoce de todos os campeões. A isso, parece, vai se resumir a temporada 2006 da Fórmula 1. Naquele que poderia ser o último ano de sua trajetória nas pistas, Michael Schumacher encontrou carro e motivação para, quem sabe, esticar sua carreira mais um pouco.

Isso porque, como disse ontem depois de fazer o segundo lugar no grid para o GP da Europa, gosta de uma briga.

E a briga, aí não há dúvidas, é contra Fernando Alonso, 12 anos mais novo, que conseguiu sua primeira pole no ano e décima na carreira. Os dois dividem a primeira fila em Nürburgring e transformaram seus outros 20 colegas em meros coadjuvantes. Entre eles os pilotos da McLaren, que prometiam lutar pelo título neste ano e comportaram-se mais uma vez com elegante discrição, ficando para trás: quinto para Kimi Raikkonen e nono para Juan Pablo Montoya. Não devem atrapalhar.

Quem pode importunar os favoritos hoje são os dois brasileiros, que mais uma vez formam a segunda fila de um grid, a exemplo do que ocorrera em Ímola. Desta vez, com Felipe Massa em terceiro e Rubens Barrichello, que pela primeira vez larga na frente de seu companheiro Jenson Button, em quarto. Mas, para isso, será preciso imprimir um ritmo forte de corrida ? algo que a Honda de Rubens não tem conseguido, e que Felipe ainda tem dificuldades por sua alta taxa de erros.

Alonso não tinha largado ainda na primeira fila neste ano, embora já tenha vencido duas corridas. "Desta vez não tivemos problemas de tráfego ou de peso excessivo de combustível. Fiz uma volta muito boa e faremos uma boa corrida. Só que a Ferrari está bem forte", disse o espanhol.

Para Schumacher, há motivos para otimismo. "Fomos rápidos o fim de semana todo, e a estratégia será fundamental. A pole de Fernando não me surpreendeu, mas acho que temos uma chance boa de ganhar. Vai ser uma briga boa, e gosto de brigas boas."

Otimismo também se notava no sorriso de Barrichello. "Esse quarto lugar foi uma demonstração de quanto o carro e o time são bons e que estamos progredindo", comemorou, sem prometer nada. "Pés no chão e uma boa estratégia para a corrida, é o que posso dizer agora."

De engenheiro novo, Massa também estava feliz. "Fiquei satisfeito com meu desempenho hoje. Fiz uma volta boa, saí dos boxes na hora certa e estou muito confiante", disse o brasileiro. O GP da Europa, com 60 voltas pelo circuito alemão de Nürburgring, começa hoje às 9h de Brasília.

Fisichella fracassa e culpa Villeneuve

Mais uma vez Giancarlo Fisichella é obrigado a ver seu companheiro de equipe repleto de glórias enquanto amarga seus próprios fracassos. Mas ontem o italiano da Renault explodiu. Na segunda parte da classificação, julgou-se atrapalhado em sua volta rápida por Jacques Villeneuve, que retornava aos boxes, e foi degolado da "superpole". Parte em 11.º do grid.

Ao sair do carro, Fisichella foi direto aos boxes da BMW Sauber, onde Villeneuve esperava, dentro do cockpit, para participar da fase derradeira da sessão. Parou diante do bico do carro do canadense e fez um discurso em sua direção. Jacques parecia não entender nada. Giancarlo, então, deu a volta pelo lado do carro, apontou o dedo em direção ao colega e bradou: "Bastardo!". Um engenheiro o afastou e ele foi embora bufando.

"Fui falar com ele e ele não pediu desculpas! Me disse que não achava que eu estava tão perto, mas estava! Ele sabe disso, é inaceitável o que fez. Meu companheiro está na pole e eu poderia ter sido segundo, terceiro. E tinha chance de vencer a corrida. Agora, não tenho chance nem de chegar ao pódio!"

A Renault não se manifestou para apoiar seu piloto, farta que está de seus choramingos.