Associada à torcida organizada do Coritiba desde 2009, Ana Paula Lima já sentiu na pele o preconceito por causa da sua decisão.

Em novembro de 2012, em uma passeata realizada pelos torcedores do Coxa, ela acabou sendo abordada de forma violenta por policiais da Rone, batalhão de operações especiais da Polícia Militar. Em um vídeo que foi publicado na internet na ocasião, foi possível ver dois policias agredindo a torcedora, que teve sua cabeça empurrada contra um portão de ferro.

Para Ana Paula, a situação a fez sofrer ainda mais preconceitos, não só por parte da PM, mas também perante a sociedade “Foi muito constrangedor, o ambiente ainda não está preparado para lidar com mulheres. Depois daquilo ouvi tanta coisa do tipo “se estivesse atrás do fogão ou em casa, isso não teria acontecido”, disse ela, que entrou com uma ação na ocasião, mas não soube dizer o que aconteceu com os policiais que a abordaram. “Ouvi dizer que foram afastados, mas nem eu e nem minha advogada fomos avisadas de alguma coisa”, completou.

Mesmo assim, a estudante sequer cogitou a possibilidade de se desligar da organizada. Segundo ela, o que ocorreu foi um caso atípico, que não poderia fazer com que a afastasse do que gosta. “Não vou pagar por um erro alheio. Tenho muitos amigos e amigas na torcida e não ia deixar tudo de lado por causa de um acontecimento atípico”, afirmou Lima.