Só estão faltando os sinais de trânsito. O risco de ?engarrafamento? é grande no treino que definirá os dez participantes da superclassificação – os que, em resumo, lutarão pela pole position da etapa de Curitiba do Campeonato Brasileiro de Stock Car.
A partir das 10h50, serão cinqüenta carros na pista, lutando por 38 vagas no grid. E 27 pilotos saem na frente, pois estão na ?reserva de mercado? da Stock. Às 12h50, começa a definição da pole da corrida marcada para amanhã, às 11h, no Autódromo Raul Boesel.
O regulamento da Stock V8, hoje a principal categoria do automobilismo brasileiro, prevê que os vinte e cinco melhores classificados na temporada anterior e os atuais campeão e vice da Stock Light (que ?subiram? para a V8) têm vagas asseguradas no grid, seja qual for a posição deles na classificação. Isso faz com que os outros 23 pilotos lutem por onze posições no grid.
E deixa alguns estreantes de ponta sempre com risco de ficar de fora da classificação. Em Interlagos, os paranaenses Ricardo Zonta e Enrique Bernoldi não correram. ?Não quero levar vantagem, mas é complicado quando a gente não consegue as coisas na pista?, lamentou Bernoldi. ?Se a classificação fosse hoje (ontem), eu teria me garantido na pista, mas perderia a vaga por causa do regulamento?, completa o piloto curitibano, que ficou em 37.º nos tempos combinados.
Zonta esteve melhor ontem, foi o quinto colocado e está empolgado para o treino de hoje. Mas ele confessou que ainda não se considera candidato à pole. ?Ainda estou me adaptando ao turismo e vou ter que suar bastante para chegar no limite do carro?, reconheceu.
Tarso Marques, outro paranaense na pista, reconhece que a situação é complicada para quem não está na ?reserva?. ?É duro, porque cada um vai pensar na sua situação. Fica difícil julgar, mas realmente é complicado?, afirmou o ex-piloto da Fórmula 1. Ele ficou ontem na sexta posição.
O mais rápido foi Thiago Camilo, que abriu quase meio segundo de frente para Allam Khodair, o segundo nos tempos combinados – a melhor volta de Camilo foi em 1min23s053. Apesar do domínio, ele sabe que nada adianta dominar na sexta se hoje ele não conseguir ser mais rápido. ?O que vale é amanhã (hoje) e domingo. Mas estamos confiantes para esta etapa pelo acerto que conseguimos para o carro?, afirmou.
Outros dois paranaenses ficaram entre os dez primeiros nos treinos livres – Rodrigo Sperafico foi o quarto e Júlio Campos foi o décimo. Alceu Feldmann vinha bem, mas a mudança nos acertos o prejudicou e ele ficou em 12.º Thiago Marques foi o 21.º, Lico Kaesemodel o 27.º, Alan Chanoski o 29.º, Ricardo Sperafico o 36.º, David Muffato o 43.º e José Cordova o 45.º.
Estrutura de competição internacional
É surpreendente o contraste entre a estrutura da Stock Car Brasil com o WTCC, o campeonato mundial de Turismo da FIA. Ao contrário do que se pode imaginar, a categoria nacional vive um momento de franca expansão, e deu ao Autódromo Internacional de Curitiba um clima que a competição internacional não conseguiu dar. Os boxes estão lotados, há grande fluxo de jornalistas e a expectativa é de grande público amanhã.
Como são cinqüenta carros a serem preparados para a prova, ontem e hoje a agitação é ainda maior – domingo, serão 38 carros no grid, e maior ?sossego? no paddock. Ontem, para onde você olhasse havia peças, carros, motos (para o deslocamento dos pilotos), câmeras e computadores. Será assim hoje, com uma dose maior de desespero, pois em uma hora e meia serão conhecidos os participantes da etapa de Curitiba.
Apesar da ?superpopulação?, não falta estrutura. O autódromo comporta as equipes (talvez no limite de sua capacidade) e a organização da Stock consegue manter tudo certo no AIC. A imprensa está acomodada em dois camarotes – e é preciso, porque a transmissão da prova pela TV fez com que um grupo grande de jornalistas viesse ao Paraná.