Moura será julgado, hoje, no STJD e pode pegar até 11 anos de suspensão

A história do futebol paranaense pode sofrer uma importante guinada a partir de hoje. O controvertido dirigente, que desde 1985 comanda a federação local, corre o risco de ser condenado a mais de 10 anos de suspensão por uma série de irregularidades detectadas pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, corte máxima do esporte no País.

Nem mesmo nas duas vezes em que foi preso sob acusação de sonegação fiscal, em 2000, e falsidade ideológica, sonegação fiscal e formação de quadrilha, em 2006, Onaireves Moura viu-se tão frágil politicamente. O último grande trunfo que mantinha foi por água abaixo com a tentativa frustrada de emplacar o novo Pinheirão na Copa do Mundo de 2014 – Ricardo Teixeira, que rejeita vincular a figura de Moura ao Mundial, respirou aliviado com a escolha da Kyocera Arena. Desesperado, o presidente da FPF pediu licença e atirou pesado contra o principal dirigente do Atlético, Mário Celso Petraglia, e contra o articulador das denúncias no STJD, Paulo Schmitt.

Para piorar, o Campeonato Paranaense tem sido um fracasso, antigos aliados se afastaram, os salários dos funcionários da FPF atrasaram, clubes como o Rio Branco são prejudicados por extravio de documentos, dívidas se acumulam como IPTU e Previdência Social, e a Prefeitura de Curitiba pretende retomar na Justiça a área ?grilada? do Pinheirão. O STJD ainda avalia outro pesado dossiê com diversas acusações contra Moura, remetido pelo inimigo político e ex-diretor da FPF, Hélio Cury.

Assim, Moura se antecipa e promete abandonar a presidência da FPF em 60 dias, assim que for concluída uma auditoria encomendada por ele próprio. O resultado da auditoria e o pedido de licença não influem numa eventual punição. Desta vez os dias de Moura no futebol parecem, de fato, contados.

Cerco se fecha pra Onaireves Moura

O reinado de Onaireves Moura na Federação Paranaense de Futebol (FPF) pode ruir hoje. Um arsenal de denúncias levantadas em um mês de investigações ameaçam destronar o cartola que há 22 anos comanda a entidade gerenciadora do futebol local. E o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) parece mesmo disposto a derrubá-lo do posto.

Moura é réu em três processos distintos, que serão julgados a partir das 18h de hoje pela 3.ª Comissão Disciplinar. Após a colheita de dados por parte do procurador Marcelo Jucá, responsável pelo inquérito, a procuradoria do STJD o denunciou pela infração de quatro artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. O total das penas pode chegar a 11 anos e meio de suspensão, implicando no impedimento de exercer qualquer cargo diretivo em entidade de administração do esporte.

Entre as acusações estão o desvio de 2,5% das rendas das partidas de competições nacionais para a empresa Comfiar, ligada a Moura, num total estimado em R$ 1,5 milhão, e a sonegação da taxa de 1% das rendas que por lei deve ser repassada à Associações de Atletas Profissionais (FAAP) – neste caso, o valor ?desaparecido? é de R$ 1 milhão. Sobre a Comfiar, Moura disse que a empresa é fiscalizada e presta conta mensalmente aos filiados da FPF.

O dirigente também será julgado por manifestação desrespeitosa, por causa de charge publicada no site da FPF em que o STJD dá uma ?tapetada? no leão simbolizando o Rio Branco de Paranaguá, e por prevaricação (omissão), no caso do contrato do jogador Paulo Massaro, do Rio Branco de Paranaguá, que jamais chegou à CBF.

Além de Moura, serão julgados cinco subordinados (Laércio Polanski, Cirus Itiberê da Cunha, Marco Aurélio Rodrigues, Carlos Roberto de Oliveira e Rui Ribeiro de Barros), todos sujeitos a penas que variam de 60 dias a quatro anos de suspensão.

O resultado ainda poderá ser contestado pela procuradoria ou pela defesa de Moura e dos envolvidos. O caso então seguirá ao pleno do STJD, última instância desportiva. ?Se a punição não for adequada, a procuradoria pretende recorrer. A intenção do tribunal é resgatar a moralidade no futebol paranaense. Mas não há sentimento de paixão sobre este caso, apesar dos ataques pessoais?, disse o procurador-geral do STJD, Paulo Schmitt, acusado na semana passada por Moura de ter sido exonerado da Paraná Esporte por corrupção. O procurador nega, afirmando que a própria autarquia negou oficialmente a informação.

Schmitt não descarta a possibilidade de uma ?intervenção branca? na FPF, com destituição de toda a diretoria.

Auditoria pra entregar FPF ?limpa?

Julio Tarnowski Jr.

Não foi uma reunião bombástica ou polêmica, mas o arbitral realizado ontem, na FPF apresentou situações distintas e curiosas. A primeira com respeito à fórmula e início do Campeonato Estadual de 2008, aprovada em quase sua maioria -matéria nesta página. A segunda referente ao pedido do Coritiba, já encaminhado no início de abril, para a cessão por 100 anos do local onde hoje se encontra o Estádio do Pinheirão.

Porém, foi a terceira posição, e talvez a mais enigmática, a que pode apontar novos rumos para o futebol paranaense. Após reassumir a função, delegada na última sexta-feira ao seu vice, Jorge Dib Sobrinho, Onaireves Moura por cinco horas presidiu o arbitral – antes aconteceu o arbitral da Taça Paraná, e depois novamente se licenciou da presidência da federação.

O dirigente, que hoje será julgado no STJD, no Rio de Janeiro, e poderá pegar um gancho de até 11 anos, mostrava-se tranqüilo com o seu futuro.

?Independente do que aconteça amanhã (hoje) no Rio de Janeiro, deixarei a federação daqui a 60 dias. Você não acredita em mim??, questionou o dirigente. Moura aproveitou para lembrar de uma entrevista recente dada à Rádio Banda B, ?quando até o Sicupira – comentarista esportivo, chegou a cair da cadeira?. ?Disse naquela ocasião que sairia quando quisesse. Pois chegou a hora, já tenho a minha decisão. Vou pescar e cuidar dos meus netos?. Moura tem mandato até abril de 2008. O prazo de 60 dias, segundo ele, seria para que a empresa de auditoria, que está sendo contratada pela FPF, faça o balanço de todas as contas e apresente numa assembléia-geral. Nesse período a federação será dirigida por Aluízio José Ferreira, vice-presidente ligado às ligas de Ponta Grossa e Região Metropolitana de Curitiba.

?Tenho que ser ético quanto a isso. Me licencio para deixar livre o trabalho da auditoria. Aliás, é o que deveriam fazer o senador Renan Calheiros – presidente do Senado que está sendo acusado de facilitar obras para uma empreiteira que pagava sua contas pessoais, e o Mário Celso (Petraglia) -presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, novo alvo dos contra-ataques de Moura?.

Ele apresentou um rápido balanço de sua gestão, quando disse que ?seria julgado num só dia em três processos?. ?Não tive nem tempo de preparar a minha defesa. Fui notificado às 18h40 da sexta-feira. Mas estou tranqüilo naquilo que irei apresentar?. Moura garantiu, antes de iniciar o arbitral, que não havia procurado ninguém junto à CBF para ajudá-lo.

Após a apresentação da única proposta sobre o próximo Campeonato Estadual, Moura aproveitou para falar um pouco sobre a intenção de bancar o Pinheirão como uma das subsedes da Copa – descartada com a indicação oficial por parte do governo do Estado pelo Joaquim Américo, a Baixada, de propriedade do Atlético. O dirigente convidou o arquiteto Walney Fiúza para expor o ?trabalho feito nos últimos oito meses?, e depois apresentou um vídeo de 10 minutos sobre o que seria o novo local com vistas à Copa do Mundo de 2014, denominado de ?Estádio de Curitiba?.

?Eu tinha um sonho. Quando você sonha sozinho, é só um sonho. Quando esse sonho é conjunto, ele passa a se transformar em realidade. Se alguém quiser encampar tudo isso, pode pegar?, disse Moura colocando em discussão aos presidentes e representantes dos clubes da 1.ª Divisão outro problema: o que será feito do Pinheirão?

Implosão do Pinheirão

Se depender do Coritiba, o Pinheirão já tem destino. Será implodido pra construção de uma nova praça esportiva, ?a mais moderna do Sul do País?. Quem garante essa intenção é o presidente do Coritiba, Giovani Gionédis que reafirmou no arbitral de ontem a posição do clube em ter a ?cessão do local por 100 anos?. ?Já tinha encaminhado o pedido para a Federação no início de abril. Deixamos passar essas notícias de Copa do Mundo para voltar a insistir com a federação?, afirmou Gionédis solicitando que a entidade convoque uma assembléia-geral dos clubes nos próximos 30 dias para aprovar o pedido do Alviverde.

?Futebol se faz com dinheiro. Os senhores aqui sabem bem disso, e principalmente quem tem estádios para cuidar e administrar. Hoje a federação tem prejuízo com o Pinheirão, e nós que pagamos isso também, com as taxas cobradas?, disse Gionédis lembrando que a proposta de pedir a cessão do estádio foi aprovada nas reuniões do Conselho Deliberativo e da diretoria do Coritiba.

O presidente do Coxa disse que já estava buscando um local pra um novo e moderno estádio. ?Temos um investidor de nível nacional e internacional para nos ajudar nisso. E esse parceiro só irá investir nisso com um clube?, contou Gionédis explicando que após a aprovação da assembléia da FPF, firmaria um protocolo de intenções com a entidade, onde seria estipulado um percentual de ganhos para a federação e seus filiados. Além da praça esportiva, o novo local teria ainda lojas e outros tipos de serviços não especificados pelo dirigente.

A proposta foi rapidamente discutida pelos clubes presentes.

O presidente do Paraná Clube, José Carlos de Miranda disse ?que aprovava a idéia, desde que o Coritiba aceitasse em ceder o novo estádio para clássicos e jogos finais do seu clube?. Gionédis retrucou dizendo que ?o Coxa sempre atendeu aos pedidos do Paraná, e que se fosse novamente pedido com jeitinho…?

O representante do Atlético, o advogado Gil Justen Santana, perguntou qual seria o destino do Couto Pereira. Gionédis disse que isso ?dizia respeito somente à diretoria do Coritiba, e não ao Atlético?. Mas se a pergunta fosse do cidadão Gil Justen Filho, a resposta seria: ?isso é coisa para o futuro?. ?Vamos ter presidente competente para saber o que fazer com o Couto?.

Pontos corridos em 2008

Um campeonato com 22 datas, 16 clubes e pontos corridos. Na 1.ª fase – todos jogam contra todos em turno único. Passam à próxima etapa da competição os oito primeiros colocados.

Os quatro últimos caem para a Segunda Divisão. Na 2.ª fase, o octogonal será disputado sem a paralisação da contagem de pontos da 1.ª fase. Esta etapa final terá sete rodadas, sendo que todos jogam contra todos em turno único. Quem chegar na frente será o campeão.

O início da competição será dia 13 de janeiro.

Essa foi a fórmula apresentada e aprovada ontem no arbitral da Série Ouro para o Campeonato Estadual de 2008. A fórmula só não ganhou aceitação do Engenheiro Beltrão e J. Malucelli, que queriam a manutenção de16 clubes para a próxima temporada, e do Atlético que se absteve na votação. Participam do próximo Estadual o Iguaçu, Adap Galo, Atlético, Cascavel, Cianorte, Coritiba, Engenheiro Beltrão, Iraty, J. Malucelli, Londrina, Paranavaí, Paraná Clube, Portuguesa Londrinense, Rio Branco, além do campeão e o vice da Divisão de Acesso 2007.

Moura também apresentou os dois pedidos feitos para a transmissão pela televisão do Estadual, encaminhados pela RPC, filiada à Globo, e da RIC, filiada à Record. No dia

11 de junho será discutida a oferta da RPC. No dia 18 será a vez da RIC.

Neste ano, a transmissão foi da RPC, que pagou R$ 300 mil, e não R$ 1 milhão como foi publicado ontem pela Tribuna.

O Atlético foi o único clube que não aceitou a proposta e não deixou seus jogos serem televisionados.

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