| Valquir Aureliano |
| Presidente da FPF ataca Amoreti e diz que existem mais dois bruxos, mas só revela os nomes na polícia. |
Onaireves Moura lançou ainda mais lenha na fogueira do caso Bruxo. Quando todos esperavam um depoimento na defensiva, o chefão da Federação Paranaense de Futebol (FPF) disparou novas denúncias sobre corrupção no futebol local. As declarações ao Tribunal de Justiça Desportiva, porém, apresentam contradições em relação ao que o cartola já havia declarado e colocam mais dúvidas sobre quem comandava toda a maracutaia.
Moura prestou depoimento após as denúncias do ex-árbitro José Francisco de Oliveira (Cidão), que em entrevista ao canal ESPN Brasil acusou o cartola de ?vender? um jogo do Estadual de 2000 por R$ 50 mil. O ?dono? da FPF defendeu-se das acusações, lembrando que o time supostamente beneficiado (Ponta Grossa) acabou rebaixado naquela temporada.
Passando às acusações, Moura escolheu com alvo o presidente do Sindicato dos Árbitros Profissionais do Paraná, Amoreti Carlos da Cruz – um dos cinco absolvidos no julgamento de 10 de outubro. ?Para Moura, o Amoreti é o Bruxo?, resumiu o auditor Paulo César Gradella Filho, que ouviu o dirigente.
O presidente da FPF revelou ter afastado Fernando Luiz Homann após o Estadual de 2004 porque o então presidente da Comissão de Arbitragem antecipava para Amoreti os árbitros que iriam para sorteio. Com as informações em mãos, Amoreti mostrava poder e ?vendia? os árbitros aos clubes, conforme a acusação de Moura.
Foi assim que a escala do Atletiba decisivo do ano passado ?vazou? antes do anúncio oficial, com já havia denunciado José Carlos Marcondes, antecessor de Homann, durante o julgamento do caso Bruxo. Os árbitros escalados naquele sorteio foram Carlos Jack Rodrigues Magno e Marcos Tadeu Mafra – dois dos denunciados por corrupção no TJD.
Depois da demissão de Homann, Amoreti perdeu poderes e resolveu fundar o sindicato, de acordo com Moura. O órgão, porém, nunca foi reconhecido pela FPF, que só aceitava a Associação como representante da categoria. Quando Amoreti viu frustrada a intenção de fundir as duas entidades, teria pressionado o diretor administrativo da FPF, Johelson Pissaia. No episódio, supostamente ocorrido num sábado, no estacionamento do Pinheirão, Amoreti teria dito que Cidão ?entraria para a história? ao denunciar Pissaia por corrupção.
Segundo Onaireves, além de Amoreti existem outros dois ?bruxos? – um da Capital e um do interior. Seriam os demais cabeças do esquema de manipulação de resultados. ?Moura disse que só vai revelar os nomes e os detalhes do esquema ao Ministério Público, pois precisa juntar provas?, contou o auditor Gradella.
Os comandantes do Prudentópolis e Engenheiro Beltrão, clubes que recentemente entraram em atrito com a FPF, também foram atacados. Segundo Moura, ambos fizeram denúncias para desestabilizar a entidade. O chefe da Federação contou que Luiz Linhares, presidente do Engenheiro, ligou para Johelson Pissaia dizendo que, se não fosse ajudado no processo movido no TJD, mandaria Cidão ?abrir a boca?. Moura lembrou ainda que o presidente do Prude, João Alberto Ituarte, disse nada saber sobre conduta de árbitros e dirigentes, mas depois mudou o depoimento e fez várias denúncias para pressionar a FPF a anular uma partida da Série Prata.
Segundo Gradella, Amoreti Carlos da Cruz será intimado para depor no inquérito. Ao mesmo tempo, o auditor pedirá nova análise das súmulas de 2003 e 2004, para saber se determinados árbitros foram escalados para muitos jogos do mesmo time. Hoje irá depor o presidente do Ponta Grossa, Antônio Mikulis, e amanhã o presidente da Comissão de Arbitragem em 2000, José Carlos Marcondes.
Só contradições no depoimento
O depoimento prestado ontem difere do que Moura declarou anteriormente. Desde a explosão do caso, o homem-forte do futebol paranaense dizia ter ?o maior interesse? em saber quem era o Bruxo e que precisava de ajuda dos clubes, porque a FPF não tinha contato com árbitros e assim não poderia detectar os corruptos. Agora, o dirigente revela que já dispunha de várias informações.
Ontem, Moura confirmou saber que as escalas de árbitros eram feitas com antecedência. Disse também que Amoreti Carlos da Cruz intermediava a ?venda? dos árbitros, às vezes para os dois clubes. Mesmo assim, apitadores como Carlos Jack Magno e Marcos Tadeu Mafra – apontados na escala do Atletiba decisivo de 2004, suspeita de irregularidade -não foram afastados ou sequer investigados até agosto deste ano. E ninguém tentou descobrir quais eram os clubes ?compradores?.
Além disso, as denúncias só foram feitas após uma acusação direta contra Moura – e não durante o inquérito de 40 dias que gerou denúncia contra 13 árbitros e dirigentes e a eliminação de oito deles.
E mesmo dizendo-se empenhado em investigar a corrupção, Moura mostrou-se conformado com o primeiro resultado do julgamento, que condenou somente quatro réus confessos – os outros quatro só foram eliminados após reavaliação jurídica. ?Se após 40 dias de investigação e de 17 horas de sessão não foram encontradas provas substanciais contra os envolvidos, eu não poderia condenar alguém?, disse o dirigente, no dia 13 de outubro. ?Vamos apurar até onde Moura foi omisso?, afirmou o auditor do segundo inquérito sobre a corrupção no futebol estadual, Paulo Cesar Gradella Filho.