Pela primeira vez desde que foi preso, há 11 dias, Onaireves Moura deixará sua cela na sede da Superintendência da Polícia Federal no Paraná, na Rua Ubaldino do Amaral. Mas apenas por algumas horas – o presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF) irá depor na 3.ª Vara Criminal de Curitiba, a respeito do inquérito que apura sua participação em casas de bingo de Ponta Grossa.

Moura é acusado de falsidade ideológica pelo uso de ?laranjas?, de sonegação fiscal e formação de quadrilha.

Depois do interrogatório, o advogado de Moura, Vinícius Gasparini, promete entrar com habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, em Porto Alegre, pedindo a soltura do cliente. Gasparini alega que Moura tem emprego e residência fixa e, por isso, não haveria motivo para mantê-lo atrás das grades. Na semana passada o defensor tentou libertar Moura através de um pedido de revogação do mandado de prisão, negado pela juíza federal Silvia Brollo, titular da 1.ª Vara Federal e Juizado Especial Federal Criminal de Ponta Grossa – a mesma que mandou prender o cartola. Alguns dos indiciados como sócios no esquema de exploração das casas de bingo já prestaram depoimento na Justiça Federal, e outros vão falar hoje.

Acompanhados por um escritório de advocacia de Ponta Grossa, Elilton Dias Coradassi, Airton José Dias Coradassi e Bento de Oliveira Bueno foram ouvidos quarta-feira naquela cidade.

Já Marcos Antônio da Silva, Renato Assis Rolim de Moura e Jair Leite contrataram o advogado Michel Saliba de Oliveira, ex-presidente da OAB Subseção Curitiba, que no final do ano passado foi investigado pelo Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) por causa das ações judiciais que moveu contra o Governo do Estado para reabrir os bingos. Saliba chegou a ser preso durante a operação ?Big Brother?, da PF, acusado de liderar uma quadrilha que aplicaria golpes milionários contra a Eletrobrás e Petrobras em vários estados. As acusações não se comprovaram.

Finais do Paranaense

Gasparini contou ainda que Moura não acompanha os jogos da fase final do Paranaense – na cela são proibidos aparelhos eletro-eletrônicos como rádio ou TV. ?Não há nenhum tipo de favorecimento. É um xadrez mesmo?, diz Gasparini, que se encarrega de relatar os resultados das partidas e o cotidiano da FPF nas visitas diárias a seu cliente. ?Ele acha que o campeonato está se desenrolando bem e que Dib (Jorge, presidente em exercício) cumpre seu papel a contento?, afirmou, garantindo que Moura não dá ordens da prisão.