Morreu nesta sexta (20), aos 77 anos, Carlos Alberto Silva, técnico campeão brasileiro pelo Guarani em 1978 e que comandou a seleção brasileira entre 1987 e o início de 1989. Um dos grandes nomes da história do nosso futebol, Carlos Alberto estava afastado há alguns anos do esporte, cuidando de seus empreendimentos.

O treinador apareceu para o futebol em 1974, quando venceu a segunda divisão paulista treinando a Catanduvense, e depois seguiu para o Guarani, montando o time que surpreendeu o Brasil, eliminando o bicampeão Internacional, passando pelo Vasco no Maracanã e venceu as duas partidas da final contra o Palmeiras, no Morumbi e no Brinco de Ouro. Foi o primeiro campeão brasileiro fora do “eixo dos grandes”, é o ainda único título brasileiro de uma equipe do interior. O centroavante deste time tinha 17 anos, apelido de Careca e futebol que o levou a duas Copas do Mundo e a ser o melhor companheiro que Maradona teve na carreira.

Do Bugre, Carlos Alberto partiu para o São Paulo, onde montou a “Máquina Tricolor”, que tinha Oscar, Darío Pereyra, Renato, Serginho e Mário Sérgio. Foi bicampeão paulista e depois rodou o País, sendo campeão no Atlético-MG, no Sport e no Cruzeiro, onde estava quando recebeu o convite para assumir a seleção brasileira no lugar de Telê Santana.

A passagem foi irregular. Na Copa América de 1987, uma goleada do Chile por 4×1 marcou a campanha fracassada do Brasil. Depois, Carlos Alberto Silva conquistou o título do torneio do Bicentenário da Austrália, e comandou a seleção olímpica medalha de prata nos Jogos de Seul, em 1988. Foi demitido quando Otávio Pinto Guimarães foi sucedido por Ricardo Teixeira na CBF.

O principal legado do treinador foi ter levado para a seleção a geração que mais tarde levaria o tetra na Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994 – Taffarel, Jorginho, Ricardo Gomes, Ricardo Rocha, Mazinho, Raí e Romário foram convocados pela primeira vez por Carlos Alberto.

O técnico seguiu a carreira, inclusive com sucesso internacional. Foi campeão japonês com o Yomiuri Kawasaki em 1991 e bicampeão português com o Porto nos anos seguintes – o principal êxito de um treinador brasileiro no exterior desde Oto Glória. Voltou ao Cruzeiro para lançar um certo Ronaldo, que chamavam de Ronaldinho por ser franzino, e que depois virou Fenômeno.

Depois de duas temporadas no La Coruña, Carlos Alberto Silva voltou ao Brasil, sem no entanto conseguir brilhar. Parou de treinar em 2005. Queria voltar ao futebol, não foi possível. Mas a história que escreveu está gravada de forma gloriosa no futebol brasileiro.