Mais uma vez a rivalidade histórica entre os países que formavam a Iugoslávia extrapolou os limites em um torneio de basquete. Na última terça-feira, o ala/pivô montenegrino Nikola Mirotic, que defende as cores da Espanha, rasgou uma bandeira sérvia quando saia de quadra após a derrota de sua equipe para a Itália, em Berlim, pelo Campeonato Europeu.

“Já pedi desculpas aos sérvios. Foi um grande erro da minha parte. Um erro inconsciente. Neste momento, depois da derrota, saí com a cabeça baixa, senti que algo me tocou a cara e tinha a intenção de tirar. Tanto fazia se era a bandeira da Sérvia ou de qualquer outro país. Pedi perdão, ainda que não espero que me perdoem”, disse nesta quarta.

Mirotic garante que não percebeu que tratava-se de uma bandeira sérvia. As imagens flagradas por um vídeo feito no caminho para o vestiário mostram o jogador do Chicago Bulls tentando arrancar a bandeira, que de fato toca seu rosto, da mão de um torcedor. Com a raiva, o puxão foi tão forte que rasgou o pano.

A atitude de Mirotic é mais um estopim na complicada relação entre os países da antiga Iugoslávia. Como principal república que compunha aquela nação, a Sérvia atraiu o ódio de povos como montenegrinos, croatas e bósnios, que lutavam por independência. Sérvia e Montenegro, aliás, formaram um mesmo país até 2006, quando os montenegrinos conseguiram a separação.

Apesar de todo este histórico, Mirotic garantiu que não pensou em qualquer questão política na última terça. “Não pensei nisso, mas não gostei do que aconteceu. Não é o que precisamos eu e a equipe. À noite tentei dormir bem e descansar. Já pedi desculpas e só posso ajudar a equipe a ganhar as partidas que faltam.”

Esta não foi a primeira vez que o confronto político entre as nações da antiga Iugoslávia veio à tona em um torneio de basquete. Na final do Mundial de 1990, na Argentina, os iugoslavos iniciavam a celebração do título quando um torcedor invadiu a quadra com a bandeira da Croácia. Vlade Divac arrancou-a da mão do rapaz e jogou-a no chão. O incidente fez com que o pivô se tornasse grande inimigo dos croatas, que na época lutavam pela separação da Iugoslávia.