O ministro do Esporte do Catar, Salah bin Ghanem bin Nasser al-Ali, afirmou que a Copa do Mundo de 2022 será um acontecimento esportivo de tal excelência que o mesmo será “quase impossível” de ser superado por outro após a sua realização. O dirigente fez a previsão de sucesso em relação ao evento em entrevista exclusiva à agência Associated Press, na qual também prometeu, entre outras coisas, que o país irá implementar reformas trabalhistas nos próximos meses, visando o combate ao trabalho infantil ou considerado escravo na nação.

continua após a publicidade

Salah bin Ghanem bin Nasser al-Ali ainda insistiu que o Catar não colocará em perigo as suas ambições esportivas e o Mundial com dinheiro que supostamente poderia ser financiado pelo terrorismo, problema tão presente no Oriente Médio. Já em relação à venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa e sobre como serão recebidos os torcedores homossexuais no Catar, o ministro não foi muito explícito, mas prometeu soluções “criativas” para estas questões que estão em conflito direto com a cultura árabe e suas leis.

Al-Ali não deixou dúvida de que o Catar quer organizar uma Copa, financiada principalmente com suas vastas riquezas petrolíferas e da exploração do gás natural, para deslumbrar o mundo. O ministro destaca que o Oriente Médio “precisa de algo como isso”. “É uma esperança. Significa dar aos jovens da região um evento positivo que possa mudar muitas de suas esperanças e sonhos”, ressaltou.

Ele vê hoje o nome Catar como “uma marca vinculada com qualidade, com luxo” e disse que o país não prejudicará essa marca “organizando uma Copa que não seja bem-sucedida”. A confiança é tanta em um Mundial de sucesso no país árabe que Al-Ali disse que “Deus precisará ajudar o país que organizar o Mundial depois de nós”. “Realmente acredito nisso. Verão que será algo quase impossível de superar”, ressaltou, apesar da pouca tradição dos árabes no cenário do futebol mundial.

continua após a publicidade

Já ao falar sobre as acusações de que o Catar apoia o grupo Estado Islâmico e outros extremistas, Al-Ali garantiu que não teria sentido que “um país que quer organizar a Copa e grandes eventos todos os anos” financie o terrorismo. “Isso é ridículo… Apoiar a qualquer grupo terrorista não faz nenhum bem. Somente vai te prejudicar algum dia”, enfatizou.

Para reforçar que o Catar também irá combater de forma enérgica a exploração aos trabalhadores, após denúncias de que imigrantes estariam sendo usados com mão-de-obra infantil ou escrava, Al-Ali lembrou que seu próprio pai trabalhou quando tinha 12 anos de idade na indústria petroleira em “condições muitos duras” no que hoje “equivaleria a abuso infantil”. “Compreendemos o problemas. Para nós é uma questão humana”, disse o ministro, para depois assegurar: “Não somos vampiros. Temos emoções”.

continua após a publicidade

Dentro deste contexto, Al-Ali afirmou que as propostas para mudar as leis trabalhistas já foram enviadas ao gabinete do governo e serão aprovadas “nos próximos meses”, depois que grupos defensores de direitos humanos documentaram maus-tratos a trabalhadores migrantes no Catar.