A caixa preta da Fifa começou finalmente a ser aberta. O Ministério Público da Suíça confiscou mais de 2 terabites de arquivos eletrônicos da entidade, no que seria equivalente a 150 milhões de páginas de documentos, com o objetivo de investigar a corrupção na Fifa. O foco do processo é a compra de votos para as Copas de 2018 e 2022, enquanto um terceiro funcionário de alto escalão pediu demissão da entidade alegando que não poderia continuar diante da eleição de Joseph Blatter.

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A informação ainda coincide com o anúncio da Fifa de que o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, cancelou sua ida ao Mundial Feminino no Canadá, que começa na semana que vem. Oficialmente, o argumento é de que “a situação atual” o obriga a ficar em Zurique para lidar com o escândalo. Mas, fontes próximas à entidade alegam que ele teria sido orientado a evitar pisar num país que mantém total colaboração com a Justiça americana.

A operação conduzida na última quarta-feira foi minimizada pela Fifa, alegando que se tratava de algo “normal” e os procuradores tiveram acesso a “tudo o que pediram”. Walter de Gregório, porta-voz da entidade, chegou a dizer que aquele era “um bom dia para a Fifa”.

Informações obtidas pelo Estado e confirmadas pelo MP suíço apontam que a operação foi muito maior do que havia sido revelado. O grupo de agentes da operação exigiu acesso ao sistema de informática da Fifa e fez um download de quase todo o arquivo da entidade, envolvendo e-mails entre dirigentes, contratos sigilosos e centenas de informes.

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Fontes no MP consideram que o confisco é um “verdadeiro terremoto” em uma entidade em que se exige até mesmo impressões digitais dos funcionários para abrir as portas.

A operação e sua dimensão se contrastam com a tese de Blatter de que a crise na entidade era uma retaliação dos EUA contra ele por não terem vencido a corrida para sediar a Copa de 2022. Blatter ainda insiste que foi a Fifa quem pediu à Justiça suíça que investigue o caso de corrupção. Mas, fontes dentro do MP revelam que, além do caso aberto pela entidade, existe um segundo processo denominado “Operação Darwin”, em referencia às “origens”.

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Outra medida tomada foi a de exigir que bancos suíços entregassem documentos relativos a suspeitos. Uma série de contas já foi bloqueada também, envolvendo nesse caso o pedido de extradição dos EUA contra sete cartolas da Fifa, entre eles José Maria Marin.

DESERÇÃO – Na segunda-feira, mais um membro da cúpula da Fifa pediu sua demissão, em apenas quatro dias das eleições que reconduziram Blatter a mais quatro anos de mandato. Heather Rabbatts, que fazia parte do grupo de trabalho antidiscriminação da Fifa, abandonou seu cargo. Ela acusou a entidade de não fazer o suficiente para se reformar. “Isso é inaceitável”, disse. Além dela, mais duas outras pessoas já deixaram a Fifa, entre elas o vice-presidente David Gills, em protesto a Blatter.

A entidade ainda anunciou na segunda-feira a suspensão provisória de Enrique Sanz, secretário-geral da Concacaf, envolvido nas investigações da Justiça norte-americana.