O técnico Milton Mendes não é mais funcionário do Paraná Clube. Irritado com as promessas com as quais o clube não cumpriu, o treinador conversou com a diretoria e passou os motivos que o levaram a pedir demissão.

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Milton Mendes pensou em sair do clube antes do empate frente ao São Bernardo pela Copa do Brasil, mas seguiu mais três dias no comando. Na entrevista coletiva no final de semana, após a eliminação no Campeonato Paranaense, demonstrou alguns sinais evidentes que a troca de comando era irreversível. “Eu tive um aprendizado muito grande nestes últimos dias e semanas. Pensava que não passaria por coisas que aconteceram, mas hoje sou um homem mais forte e tenho no meu currículo a passagem pelo Paraná”, disse Mendes, no domingo.

Segundo informações apuradas pela Tribuna 98, pessoas ligadas à comissão técnica pediram para o treinador ‘esfriar’ a cabeça e conversar com a direção no começo da semana. No entanto, Milton Mendes não sentiu da direção um apoio convincente e percebeu que nenhuma das cobranças feitas anteriormente seria cumprida. “Vi poucas perspectivas em questão de futuro. Já era para eu ter saído antes porque a bola de neve estava crescendo, a pressão crescendo. O resultado dali para frente não seria bom. Sou homem de levar as coisas até o fim, mas não via perspectiva”, avaliou ele.

A grave crise financeira pela qual atravessa o Tricolor também afetou o relacionamento do treinador com outras pessoas do departamento de futebol. Milton Mendes em nenhum momento cobrou publicamente o atraso salarial de funcionários, atletas e também o da comissão técnica. Recolhia para si todas as queixas e lamentações. “Com todos os problemas, tive que recorrer ao trabalho de motivação. O nosso vídeo motivacional que seria usado para uma decisão de campeonato foi utilizado antes. O discurso tinha acabado e recorri a estas estratégias. Uma pena”, afirmou o ex-técnico do Paraná à Tribuna 98.

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Questionado se teria emprestado dinheiro ao clube ou aos jogadores, Milton preferiu minimizar o fato. “O importante é que naquele momento os problemas foram sanados. Um pai tem de se posicionar para ajudar os filhos”, ressaltou, na entrevista coletiva de ontem.

O treinador relatou ainda a intenção de se encontrar novamente com a direção amanhã para tentar receber o que foi acordado e não pretende ir para a Justiça caso não receba os salários atrasados. “Com certeza tudo será resolvido”, concluiu o treinador.

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Em nota oficial, o presidente Rubens Bohlen elogiou a dedicação de Mendes. “Agradecemos o profissionalismo e o empenho de Milton Mendes e seu auxiliar Rodolfo Correia durante o tempo em que estiveram no comando técnico da equipe”.

Milton Mendes chegou ao clube em dezembro do ano passado trazido pelo gerente de futebol Roque Junior. Um desconhecido pelo grande público, o técnico tinha no currículo passagens no futebol português e no Oriente Médio. Estudioso do futebol, com diversos cursos e estágios pela Europa, Mendes, de 46 anos, tinha o desafio de treinar pela primeira vez um time no futebol brasileiro. Sob o seu comando, o Paraná Clube jogou 14 vezes alcançando um aproveitamento de 52,38%. Foram seis vitórias, quatro empates e quatro derrotas.