Barcelona – Num dia em que as atenções do futebol europeu estavam voltadas para Itália e França, onde Inter e Lyon falharam na tentativa de conquistar por antecipação os respectivos títulos nacionais, o mundo da bola reverenciou o craque argentino Lionel Messi. Em jogada que lembrou muito o gol de seu compatriota Diego Maradona contra a Inglaterra, na Copa do México em 1986, ele marcou o segundo gol da vitória do Barcelona sobre o Getafe por 5 a 2, que deixou o time catalão muito perto da final da Copa do Rei.

O relógio marcava 28 minutos do primeiro tempo e o Barcelona já vencia o jogo por 1 a 0, com um belo gol de Xavi em assistência do jovem craque argentino. Messi recebeu um passe do luso-brasileiro Deco antes do meio-de-campo, pelo lado direito do ataque, e arrancou. Driblou quatro defensores do Getafe, um deles duas vezes, invadiu a área e cortou o goleiro Luis Garcia antes de dar um leve toque para o fundo das redes. Uma obra-prima que as palavras são insuficientes para descrever.

Reverência

Messi deixou sua marca mais uma vez, com o terceiro gol, aos 44?. Saiu para o intervalo ovacionado pelos felizardos torcedores que estavam no Camp Nou, que aplaudiram em pé o jovem craque, que completará 20 anos em junho e começou sua carreira no clube, ainda nas categorias de base.

No segundo tempo, o Getafe chegou a diminuir o placar para 3 a 2, gols de Guiza e Nacho, mas o Barça se recompôs e definiu a goleada com tentos de Gudjohnsen e Eto?o. Com o resultado, pode perder o jogo de volta, no dia 9 de maio, por até dois gols de diferença.

A outra semifinal da Copa do Rei começa hoje, com o jogo entre La Coruña e Sevilla, em La Coruña.

?Uma noite de Messias?

O gol de Messi foi tão magnífico que valeu ao argentino o apelido de ?Messidona? no site do jornal espanhol Marca. Outro diário da Espanha, o As, mostrava em sua página inicial uma foto com o atacante e o título ?Uma noite de Messias?. Em enquete no site do próprio Marca, cerca de 65% dos internautas acreditavam que o gol de ontem foi mais bonito do que o de Maradona contra a Inglaterra, em 86.

Naquela oportunidade, Diego saiu driblando ingleses desde o meio-de-campo até passar pelo goleiro Shilton e empurrar a bola para dentro das redes, marcando o segundo na vitória por 2 a 1 – antes, fez um com a mão, o famoso gol da ?mão de Deus?, como o ex-jogador sempre se referiu.

Última porta

Vítima de uma doença que prejudicava seu desenvolvimento, o menino Messi sempre mostrou habilidade com a bola nos pés, mas nenhum clube na Argentina aceitou pagar por seu caro tratamento para estimular seu crescimento. O Barcelona foi a última porta em que seu pai bateu, aconselhado por parentes na Espanha.