O clássico entre Fluminense e Vasco, no Maracanã, marcado para o próximo dia 19, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, deve contar apenas com a torcida tricolor, mandante da partida, por decisão da CBF. A entidade considera que há risco de haver confronto entre torcedores no Maracanã e por razões de segurança tomou a atitude drástica de impedir os vascaínos de irem ao estádio.

O Consórcio Maracanã, concessionária que administra o estádio, publicou nota nesta quarta-feira, na qual afirma considerar “vergonhoso o primeiro jogo de torcida única em 65 anos de existência do Maracanã”. “Notadamente problemas de violência acontecem fora do estádio. Tal determinação seria um enorme e injustificado retrocesso, além de um claro estímulo ao acirramento dos ânimos”, diz a publicação.

Fluminense e Vasco têm também outro impasse sobre a questão. Após a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo, a concessionária cedeu, em contrato, o direito de a torcida tricolor ficar nas arquibancadas do setor sul. Contudo, área que era ocupada pela torcida vascaína. A permanência da tradição passou a ser reivindicada pelo presidente do Vasco, Eurico Miranda.

Durante o Campeonato Carioca, a Federação de Futebol do Rio (Ferj) se posicionou a favor do Vasco e decidiu que o jogo entre os rivais seria realizado no estádio do Engenhão. No dia da partida, houve briga entre os torcidas organizadas dos clubes a cerca de dois quilômetros do local do jogo, além de confusão entre vascaínos nas arquibancadas. No fim, 118 pessoas foram detidas.

No Brasileiro, a decisão sobre as torcidas ficou sob responsabilidade da CBF, que consultou o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) da Polícia Militar, que, embora considere o clássico um evento de risco, garantiu a segurança da partida.

“Realmente há hoje uma rivalidade maior entre Vasco e Fluminense”, disse à Agência Estado o Major Silvio Luiz, comandante do Gepe. “Houve uma consulta por parte da CBF e avisamos que garantiríamos a segurança. Sempre realizamos clássico com o público meio a meio.”

“Mesmo assim vamos manter o padrão de segurança”, prosseguiu. “As torcidas serão reunidas e vamos escoltar as organizadas do Fluminense. Se identificarmos que algum torcedor vascaíno entrou no estádio para incitar a violência, será encaminhado ao juizado do torcedor.” O problema é que os ingressos estão sendo vendidos desde o dia 2 deste mês, até mesmo para vascaínos.

Até a conclusão desta matéria, a CBF não havia se pronunciado sobre o caso. Questionados pela reportagem, Fluminense e Vasco informaram não ter sido notificados oficialmente. A Ferj, contudo, revelou que recebeu um ofício da CBF confirmando a decisão de manter apenas a torcida do Fluminense no estádio.