São Paulo – A seleção brasileira que enfrentará a Argentina dia 2 de setembro, em Londres, será muito diferente da anunciada na última terça-feira pelo técnico Dunga para seu primeiro amistoso no cargo, dia 16, contra a Noruega. Na Inglaterra, salvo problemas físicos ou de contusões, Dunga terá os figurões da Copa do Mundo de volta, como Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano.

Todos já estão na Europa e levariam poucas horas para chegar à capital inglesa. Não haveria, portanto, qualquer desgaste.

Dunga teria, então, a oportunidade de juntar as estrelas ao elenco chamado terça-feira no Rio, reunindo praticamente o time que fracassou na Copa da Alemanha. O técnico deu várias pistas de que não abrirá mão dos atletas escolhidos na Copa pelo seu antecessor, Parreira. Na sua primeira lista, chamou oito remanescentes, entre eles os zagueiros Juan, Lúcio e Luisão. ?Não fecharemos a porta da seleção brasileira para ninguém, tampouco recomeçaremos o trabalho do zero. Kaká e Ronaldinho Gaúcho voltaram há poucos dias para seus clubes?, disse, para justificar a ausência de ambos na lista.

Outra pista dada por Dunga no Rio foi a necessidade de começar seu trabalho com vitórias. Bater a Noruega com um time de garotos é possível. Ele está seguro que poderá fazer isso em Oslo com os jogadores que pôde chamar agora. Mas não pensa dessa forma para o amistoso com a Argentina, sobretudo pela rivalidade entre as seleções e pelos bons atletas que o rival tem.

A Argentina vendeu caro sua eliminação para a Alemanha nas quartas-de-final do mundial. Agora, com o técnico Alfio Basile no comando, jogadores que não tiveram espaço na Copa, como Messi, podem ter melhor sorte, o que deixaria a equipe ainda mais forte.

Dunga não vai querer correr o risco de tomar uma surra do principal adversário do Brasil. Não o Dunga! ?É fundamental vencer sempre. A seleção precisa mostrar empenho para o povo brasileiro?, comentou.

A verdade é que Dunga não vê a hora de se encontrar com os medalhões. Quer ter uma conversa franca com todos eles. E fará uma pergunta básica: vocês querem continuar ou não? Aos que responderem sim, fará seu sermão motivacional, de amor à amarelinha acima de tudo. Quem não quiser seguir terá liberdade de anunciar sua aposentadoria na seleção.

De Ronaldo Fenômeno, Dunga não disse uma só palavra, não fez uma só referência durante toda a entrevista na terça-feira. Existem comentários de pessoas que freqüentam a CBF de que o atacante do Real Madrid terá de jogar muito na Espanha para voltar à seleção. Também estariam nessa condição Cafu e Emerson. A ausência do trio contra a Argentina daria início à reformulação proposta por Dunga. O lateral Roberto Carlos seria o quarto, mas este já anunciou que não vestirá mais a camisa do Brasil.

Formar o time que enfrentará a Noruega, dia 16, com a base do elenco da Copa foi uma cartada de Dunga. Não fosse isso, seu auxiliar, Jorginho, não poderia admitir que a lista não é de ?momento? e que muitos dos que foram lembrados estarão de volta em próximas partidas.

Aos garotos com 23 anos ou menos, fica a esperança de seguir no time devido ao pré-olímpico e Olimpíada. São eles: Vágner Love, Fred, Wagner, Marcelo, Morais, Dudu Cearense e Daniel Carvalho.

Felipão pede tempo para Dunga

Caxias do Sul – Entre o fim da tarde e a noite de terça-feira, o técnico Luiz Felipe Scolari esteve em Caxias do Sul. O comandante da equipe portuguesa, quarta colocada na Copa da Alemanha, visitou velhos amigos, entre eles o também técnico Valmir Louruz. Acompanhado da mulher, Olga, Felipão estava de muito bom humor.

Numa rápida entrevista, falou de vários assuntos, como Copa do Mundo, seleção portuguesa e a indicação de Dunga para o comando da seleção brasileira. Segundo Felipão, no momento é importante dar tempo para que Dunga possa realizar seu trabalho com calma na seleção.

?O Dunga tem um trabalho inteiro pela frente, tem o início da sua vida profissional como técnico e acho que as pessoas, os jornalistas principalmente, têm que esperar até um determinado número de jogos para observarem os treinamentos, as reações como técnico, para depois darem uma opinião mais concreta se foi correta a escolha?, afirmou.

Felipão disse que não havia acompanhado a primeira convocação do novo técnico da seleção, mas fez uma defesa prévia. ?Não sei quem ele convocou ou não, mas foi dentro dos seus critérios. Eu nunca discuto as escolhas dos outros técnicos porque não gosto que discutam as minhas.?

Em relação ao seu futuro, após cumprir o contrato de dois anos com Portugal, Felipão disse que está em aberto. Inclusive não descartou a volta à seleção brasileira.