Valquir Aureliano
Maurício Cardoso com o técnico Macuglia: ?Conversas pra deixar o ambiente tranqüilo?.

Babá, ?Vovô Coxa? e até ?Velho do rio?, mas ele nem se importa com os apelidos dados pelos boleiros e pelos repórteres que cobrem o dia-a-dia do Coritiba. Assim é o supervisor Maurício Cardoso, 53 anos, autodidata na arte de montar equipes de futebol e braço direito do coordenador João Carlos Vialle na árdua luta do Coritiba por seu lugar na 1.ª Divisão. Quatro meses após um ?exílio? de 8 anos da linha de frente do Alviverde, ele continua sendo o amparo de grande parte do elenco, resolve o problema que aparecer e vê a ação dos empresários como empecilho em se montar um grande time.

Paraná-Online – Qual é a tua verdadeira função no Coritiba?
Maurício Cardoso – A minha função é apagar o incêndio. Eu sou mãe, pai e avô, tia, primo dos jogadores. Eles estão longe de casa, da família e são pessoas que têm até um certo tipo de carência e no dia-a-dia, no contato, você tenta suprir e se tornar um amigo, um conselheiro, um parceiro deles.

Paraná-Online – E na parte burocrática?
Maurício – Todo o funcionamento do departamento de futebol profissional no que se refere a viagens, concentração e apoio logístico. Tudo isso é coordenado por mim. Tomo pé de tudo. Desde o dia 2 de janeiro praticamente um dia eu não vim ou no clube ou no CT neste período. Independente de estar aqui, acompanhando os treinos ou a concentração, você tem que fazer com que as coisas andem.

Paraná-Online – Que tipo de problema você enfrenta?
Maurício – É a falta de dinheiro. Os outros problemas são os jogadores que se sentem desamparados e querem uma conversa, querem um apoio, precisam de uma indicação para alugar um apartamento ou outra coisa e você precisa auxiliar eles sempre nisso tudo.

Paraná-Online – Algo inusitado?
Maurício – Tem umas coisas malucas. O Douglão era o meu calo. Ele sempre tinha alguma coisa, ele sempre vinha e queria um conselho e até me ligou de Porto Alegre dizendo que está contente, mas com saudade. Disse para ele para não estrear se não estiver bem.

Paraná-Online – Você ficou um bom tempo afastado, não?
Maurício – Oito anos. Agora, quando o Vialle foi convidado ele me procurou, estava em Balneário Camboriú (SC), antes do Natal, e como sempre tive uma ligação muito forte com o Coritiba achei que devia dar uma contribuição para trazer esse time de volta para a 1.ª Divisão. Acredito que, pelo menos três rodadas antes, nós vamos estar na 1.ª Divisão.

Paraná-Online – Mudou muito o futebol nesse tempo todo?
Maurício – O futebol, não. O que mudou foi a ingerência do empresário e do procurador no futebol, que está tornando a coisa muito difícil. Se não houver uma mudança na Lei Pelé e uma reestruturação, os clubes não sobreviverão.

Paraná-Online – Os jogadores te chamam de quê?
Maurício – De Vovô Coxa.

Muito treino e muita conversa

O Coritiba começa a semana entre conversas e treinos para buscar a recuperação na Segundona do Brasileiro. Na próxima sexta-feira, o Coxa joga novamente fora de casa, desta vez em Itu, contra o Ituano-SP. O vacilo na segunda rodada do campeonato, quando perdeu de 1 a 0 para o Gama-DF, afastou o Alviverde das primeiras colocações na tabela. O Coritiba ocupa o meio da tabela, na 11.ª posição, com três pontos ganhos. O Itu, seu próximo adversário, ainda não venceu na competição e é o vice-lanterna. Para o jogo da terceira rodada, o treinador Guilherme Macuglia deverá avaliar se mantém o grupo que estreou na equipe, sábado em Brasília: o goleiro Edson Bastos, o zagueiro Dezinho, e o volante Careca, o atacante Gustavo e o meia Diogo. A dúvida fica por conta do zagueiro Henrique, que sentiu uma contusão no joelho, e deverá ser avaliado pelo departamento médico alviverde, para saber se treina normalmente hoje.