No dia de abertura do Open de Atletismo Paralímpico, Mateus Evangelista mostrou seu talento no Engenhão, no Rio. Em sua primeira competição desde que fraturou o fêmur esquerdo, em setembro de 2015, o atleta conquistou a medalha de ouro nos 100 metros da classe T37 (atletas com paralisia cerebral) e ficou com o terceiro lugar no salto em distância.

O resultado na competição, que serve como evento-teste dos Jogos Paralímpicos, é um estímulo para Mateus. Confiante, o atleta sonha com mais de uma medalha de ouro na Paralimpíada. “Vamos mostrar que somos deficientes, mas que somos muito eficientes”, disse ao Estado antes de viajar para o Rio.

O lugar mais alto do pódio nos 100 m veio com o tempo de 11s73 – o quarto melhor do mundo nesta temporada. No salto em distância, ele obteve a marca de 5,66 m e acabou superado pelos russos Vladislav Barinov (5,79 m) e Gocha Khugaev (5,76 m).

Destaque nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, Mateus passou a se dedicar exclusivamente ao atletismo apenas em 2012. Por três anos, ele diviu a atenção com o futebol de 7. Ele teve uma passagem marcante pela seleção, em 2009, foi o goleiro menos vazado no Parapan Juvenil de Bogotá, na Colômbia. Disputado pelas duas modalidades, teve de fazer uma escolha. “No individual depende só de mim, faço o meu melhor sempre e estou conseguindo fazer resultado”, conta.

Mateus sofreu uma paralisia cerebral por falta de oxigênio na hora do nascimento e teve os movimentos do lado direito do corpo comprometidos. Aos 13 anos, o garoto foi apresentado ao esporte paralímpico. Em sua primeira paralimpíada escolar – duas semanas depois de começar a treinar – conquistou medalhas de ouro nos 100 m, 200 m e salto em distância. A promessa tem virado realidade.