Valquir Aureliano

?A torcida é a nossa maior jóia?. Assim o presidente do Paranavaí, Nivaldo Mazzin, definiu a presença da ?massa vermelha? que invadiu o Estádio Durival de Britto para empurrar o Vermelhinho à conquista do Estadual 2007. Pela estimativa da Polícia Militar, entre 1,5 mil e 2 mil pessoas estavam presentes na área destina à torcida visitante e a grande maioria vestida com camisas vermelhas e branca do ACP e carregando balões. Muitos desses torcedores pegaram ônibus de madrugada para vir a Curitiba. Adriano José dos Reis e sua esposa Rosa Helena partiram do noroeste do Estado às 4h30, em uma caravana de ônibus, e chegaram à Vila Capanema, por volta das 14h30. Para ele, todo o sofrimento de 10 horas de viagem seria recompensado com o título de campeão. Sem dúvida, Adriano era um dos torcedores mais entusiasmados com o ACP. Usando um sombrero com o símbolo do Paranavaí, dividido com o do Santos, o torcedor não parava de gritar.

Entre os torcedores do Vermelhinho era comum encontrar casais com filhos. Entre eles estava Oeber Pereira, a mulher Patrícia e o pequeno Guilherme, de dois anos e meio, devidamente uniformizados. Outro casal, Jefferson Soletti e a mulher Evelise, demonstrava grande entusiasmo com a campanha do Paranavaí e por estar no estádio acompanhado de amigos. O casal Soletti, mora em Curitiba, mas tem suas raízes no noroeste do Estado. Jefferson desde o início do jogo tinha certeza da conquista do título e que ele viria com muito sofrimento, como realmente ocorreu. ?Passamos sufoco, mas foi como esperava?, afirmou.

A torcida do Vermelhinho explodiu em alegria assim que o árbitro Rogério Roman apitou o fim do jogo. ?Uh, sai do chão, ACP é campeão?, foi o grito entoado pela galera. Jogadores e comissão técnica comemoraram a conquista do título dando a volta olímpica e carregando o troféu de campeão. Mas a grande celebração, com direito a passeio no carro de bombeiro, está marcada para Paranavaí. Lá a Avenida Paraná deve se transformar num grande salão de festas. A delegação do ACP tem previsão de chegada para as 9h de hoje.

Knevitz nos braços da galera

Mal ouviu o apito do árbitro, o técnico Amauri Knevitz saiu correndo do banco de reservas para o alambrado e se unir na festa da galera de Paranavaí e, principalmente, aos seus familiares, que se faziam presentes na torcida. O treinador ressaltou a importância do apoio da família para que seu trabalho fosse bem feito. ?Foram meses distantes, mas eles souberam entender. Hoje estão aqui minha esposa, meus filhos, sobrinhos?, contou o treinador bastante sorridente.

O campeonato conquistado diante do Paraná foi o primeiro título estadual do treinador em onze anos de carreira. ?É uma alegria muito grande, porque conseguir um titulo com um time menor contra um time grande tem um sabor especial. E na casa do adversário fica melhor ainda?, resumiu.

Knevitz destacou a superação do seu grupo como a principal arma para a vitória. ?Não tem como jogar contra um grande, pensando que é grande. Isso é caminho para a derrota. Temos que aceitar nossa limitação e fazer bem a nossa parte. No 1.º tempo só marcamos. No 2.º, marcamos e saímos para o jogo e por isso não houve pressão exagerada (do Paraná). A pressão exercida deu para controlar?, explicou o treinador sobre a estratégia utilizada pelo Vermelhinho.