Felipe Massa conseguiu ontem a sétima pole de sua carreira, quarta no ano, confirmando a virada de mesa da Ferrari no mundial de Fórmula 1.

Depois de três derrotas inapeláveis para a McLaren desde Mônaco, o time de Maranello esboça dar o troco na nova temporada européia que começa com o GP da França, hoje em Magny-Cours.

O brasileiro cravou sua melhor volta na terceira parte da classificação em 1min15s034, superando Lewis Hamilton por 0s070. O inglês manteve seu retrospecto de boas classificações e a normalidade indica que ele sai da prova de hoje ainda com alguma folga na liderança do Mundial.

Isso porque seu companheiro Fernando Alonso, vice-líder a 10 pontos de distância, segue vivendo um inferno astral ao qual não estava acostumado nos tempos de Renault. Mal em todos os treinos livres franceses, o espanhol começou o dia ontem de manhã com problemas de freios e, na hora de definir o grid, não chegou a completar uma volta na ?superpole?. Uma quebra de câmbio deixou o bicampeão do mundo em décimo lugar.

?Tem sido um ótimo fim de semana para nós?, disse Massa, que voltou a sorrir depois de semanas de tensão. ?Confirmamos que os testes de Silverstone foram bem aproveitados. O carro está bom como na semana passada e isso nos motiva muito a vencer aqui na França. Estou muito feliz por poder voltar à luta.?

Há motivos para otimismo. Em sete provas disputadas neste ano, o pole-position venceu seis vezes. Na única em que isso não aconteceu, na Malásia, Felipe estava na pole, mas largou mal e perdeu a ponta antes da primeira curva. E quem a contornou na frente, Alonso, na ocasião, acabou ganhando.

É o que Massa pensa em fazer hoje: largar bem, disparar na frente e deixar a briga para quem estiver atrás, como Hamilton e o terceiro no grid, o ainda apagado ferrarista Kimi Raikkonen. Robert Kubica, da BMW Sauber, larga em quarto na sua volta às pistas depois do acidente de Montreal. Rubens Barrichello ficou em 13.º com a Honda.

Há possibilidade de chuva para a prova de hoje, que começa às 9h de Brasília e terá 70 voltas. É a última visita da F1 a Magny-Cours, circuito que recebe o GP da França desde 1991, mas não teve seu contrato renovado para o ano que vem.

Diário de Magny-Cours

– O GP da França pode ser realizado com chuva. Os serviços meteorológicos indicam que a possibilidade é de mais de 60% de uma corrida debaixo d?água. Desde 1991, a única corrida com chuva em Magny-Cours foi a de 1999. E deu uma baita zebra, vitória de Heinz-Harald Frentzen, da Jordan.

– O retrospecto de pilotos brasileiros em GPs da França não é lá grande coisa. A única vitória aconteceu em 1985, com Nelson Piquet. E isso no velho circuito de Paul Ricard. Poles também não são muito comuns. A de Massa, ontem, foi apenas a terceira brasileira na França.

– Na sua volta ao cockpit da BMW Sauber, Robert Kubica não poderia querer mais. Ficou em quarto no grid, sua melhor posição de largada na F1. Ele não disputou a última prova, em Indianápolis, e ainda se recupera do violento acidente de Montreal. Nick Heidfeld, seu parceiro, larga em sétimo.

Carro falha e Alonso agora torce pela chuva

O inferno astral de Fernando Alonso parece não ter fim. A McLaren vinha fazendo uma temporada impecável no que diz respeito à confiabilidade de seus carros. Nada de quebrar. Mas ontem, a máquina do espanhol deu dois piripaques.

O primeiro, pela manhã: um sensor de freio fez com que ele ficasse a maior parte do treino livre nos boxes. De tarde, na classificação, não conseguiu encaixar nenhuma volta boa nas duas primeiras sessões, mas mesmo assim foi à ?superpole? com facilidade.

Na disputa entre os dez mais rápidos, porém, a segunda falha. Já na primeira volta, uma fumaça estranha saiu da traseira de seu carro e ele recolheu à garagem. Lá, a McLaren detectou um problema de câmbio.

Alonso não pôde voltar mais à pista, não fez tempo e larga em décimo. Isso se a equipe não tivesse decidido, ontem à noite, trocar todo o conjunto câmbio-motor, o que deslocaria o bicampeão mundial para a última posição do grid.

?Não foi um bom dia, tive muita falta de sorte, mas espero reverter esse quadro na corrida. Ter esse tipo de problema é uma experiência nova para mim, já que eu não quebrava um carro fazia muito tempo. Tudo pode acontecer numa corrida, e estão dizendo que a previsão é de chuva. Se for mesmo, posso me beneficiar, de alguma forma?, falou Fernandinho.

É a esperança. Alonso é um ótimo piloto no piso molhado, talvez o melhor em atividade ao lado de Giancarlo Fisichella, também especialista em chuva. Muitos, como Hamilton, ainda não mostraram o que podem fazer debaixo d?água. Com um F1, pelo menos. Criado no automobilismo inglês, Lewis tem experiência com chuva. Mas em categorias de base, como o kart e a F3.