Sessões de autógrafos com jogadores, entrega de kits para pais de bebês recém-nascidos, ações em parques e principais ruas de Ponta Grossa. Um roteiro simples, parte da campanha “Atlético, Paranaense igual a você”, mas que já cria polêmica entre a torcida do Operário.
“Acho o fim da picada. Onde tem time, não deveriam ir. Vai mexer com o bicho e isso serve apenas pra criar mais um clima ruim pro Atlético. Ninguém gosta que invadam sua área”, avisa o presidente do OFEC, Carlos Iurk.
Para demarcar território, integrantes da torcida organizada Trem Fantasma prometem se encontrar em um dos pontos onde estão planejadas ações atleticanas.
“Iremos até a Rua XV, onde eles dizem que vão fazer uma concentração de torcedores. A intenção é mostrar que nossa cidade já tem time”, afirma o vice-presidente da entidade, Thiago Moro, que promete paz, mas não esconde o desconforto com o movimento atleticano.
A polêmica é parecida com a que viveu o Coritiba no dia da estreia no Paranaense 2011. Na ocasião, ao mesmo tempo em que o mascote Vô Coxa tentava cativar crianças e adolescentes pelas ruas de Ponta Grossa, ele era hostilizado por torcedores do Operário, que se organizaram pela internet.
Um dos desafios da diretoria atleticana é driblar esse tipo de confusão. “Deixamos claro que não é um movimento contra o Operário. É evidente que as pessoas torcem pelos times de suas cidades. Nós queremos apenas valorizar os atleticanos do interior”, ressalta a vice-presidente Yara Eisenbach.
Como indica o doutor em história do futebol André Capraro, do Núcleo Futebol e Sociedade da Universidade Federal do Paraná, a torcida do Operário está agindo por instinto.
“A leitura do torcedor é que à medida que essas campanhas são feitas, existe uma tentativa de retirar torcedores do time local. Ocorreria o mesmo se Corinthians ou Flamengo fizessem uma campanha em Curitiba”.