O meio-campo Marcinho se reapresenta ao Atlético amanhã, assim como o restante do elenco e a nova comissão técnica comandada pelo uruguaio Juan Ramon Carrasco. O jogador retorna com a certeza de que o Rubro-Negro irá respirar novos ares este ano. Já recuperado da tristeza do rebaixamento, o jogador aposta em uma temporada muito diferente. Em 2011, para Marcinho, a falta de comprometimento de alguns jogadores foi o ponto forte para o insucesso do clube. “Não adianta entrar num Brasileiro com um time, e entramos só como time e não com grupo. Diante disso, caímos (…) Não falo em racha, mas em descomprometimento”, revelou o meio-campo, que na entrevista a seguir conta bastidores da queda. Entre os quais, que ele e Paulo Baier muitas precisaram ser “técnicos”, mudando a cara do time atuar. “Em muitos jogos que conseguimos pontuar, foi dessa maneira”. contou. Confira:

Paraná Online – Qual a expectativa para 2012, o que esperar desta temporada?

Marcinho – A expectativa é grande. Temos hoje o presidente [Mário Celso] Petraglia que conhece bem o Atlético, o futebol e isso é importante. Acredito que ele vai procurar fazer de tudo para, este ano, o Atlético voltar à Primeira Divisão.

Paraná Online – Teve alguma proposta neste período de férias? Foi mesmo procurado pela Ponte Preta?

Marcinho – Não tive nada, só sondagem e isso é normal. Tive sondagens de times do Brasil e do exterior, mas nada de concreto. Neste momento de férias é comum ter especulação. Isso é normal para todo mundo.

Paraná Online – Seu projeto é ficar no Atlético em 2012?

Marcinho – Eu quero ficar. Quero esse desafio de voltar para a Primeira Divisão, vou me apresentar na quarta-feira (amanhã) e ver o que vai dar. Estou acompanhando tudo pela internet e vejo o Petraglia montando a estrutura, a comissão técnica, a diretoria e vamos ver qual será a conversa que teremos quarta-feira, quando todo mundo voltar.

Paraná Online – E o novo treinador Juan Ramon Carrasco? O que esperar?

Marcinho – Tive a experiência, na Arábia, de trabalhar com treinador estrangeiro e não vejo dificuldades. Pelas características, ele é um técnico ofensivo. Acredito que isso vai ajudar bastante o Atlético, pelo perfil de alguns jogadores que temos.

Paraná Online – Já superou a tristeza pelo rebaixamento?

Marcinho – Já. Logo que terminou o jogo fui para casa triste, chorei, mas parei para conversar com minha esposa e vimos como Deus nos proporcionou tantos momentos bons. Fui campeão em 2008, pelo Cruzeiro; em 2009, campeão pelo Atlético; em 2011, bicampeão japonês e campeão pelo Al Ahli. Mas, infelizmente, caímos. Vi que tinha chegado o momento da tristeza também, mas posso dizer que na carreira, na minha vida, Deus vem me proporcionando momentos muito bons.

Paraná Online – Se sente em dívida com o torcedor pela queda em 2011?

Marcinho – Não me sinto em dívida. Estava olhando de fora, passaram dez rodadas e o Atlético sem vencer. Quando cheguei falaram que o Marcinho seria o salvador, mas não tem isso não. Não adianta entrar num Brasileiro com um time, e entrarmos só como time e não com grupo. Diante disso, caímos.

Paraná Online – Muitas vezes você ameaçou falar alguns “segredos” daqueles momentos complicados. O que teve de grande erro em 2011 que tanto o desagradava?

Marcinho – Às vezes, a responsabilidade era muito grande em cima de mim e do Paulo [Baier]. É difícil voc,ê olhar para o lado e ver algumas situações. Aí as coisas não acontecem e vem a cobrança do torcedor, da imprensa e fica difícil. Eu compartilhava isso com o Paulo. Havia pessoas que estavam do nosso lado e dependiam da gente, mas a responsabilidade ficou sobre nós e muitas vezes nos sentimos desprotegidos, sem respaldo.

Paraná Online – Houve algum tipo de racha, por que você diz que a responsabilidade toda era sobre você e o Paulo Baier?

Marcinho – Não falo em racha, mas em descomprometimento, isso sim. Era muito diferente do grupo de 2009. Infelizmente, até diante do que houve, alguns jogadores mostraram que não tínhamos um grupo mais forte. Com jogador insatisfeito, fica difícil. Acredito que, por isso, tudo aconteceu. Mas confio muito no trabalho do Petraglia, por ele conhecer futebol, por ser verdadeiro no que fala. Em 2008, ele me ligou querendo me trazer, mas só cheguei em 2009, que foi quando ele saiu. O vi falando em entrevista que em dez anos vai ver o Atlético ganhar o Mundial. São planos ousados, mas de pessoa que conhece o futebol.

Paraná Online – Este será o ano do Furacão no Paranaense?

Marcinho – Este é o primeiro objetivo. O último foi em 2009. Chega de ver o Coritiba campeão. Já quebramos o tabu de não vencê-los no final do Brasileiro e minha expectativa, acredito que do Paulo também, é ganhar o Estadual. E falo mais: tem que montar um elenco para ganhar o Paranaense, brigar pela Copa do Brasil e chegar ao Brasileiro com uma base boa. É natural que teremos cobrança pelo Atlético entrar como favorito e, pelo clube que é, ter a obrigação de subir e ser campeão. Vocês puderam compartilhar das dificuldades em 2011, mas para este ano será diferente. Vi que o Manoel vai ficar e o Renan também. Temos os dois laterais, eu e o Paulo. Então, temos uma base pelo menos. Aí tem os outros garotos da base que vão ter que começar a jogar.

Paraná Online – Está preparado para esta cobrança pelo título da Série B?

Marcinho – A cobrança vai existir, e isso é normal. O importante é ter respaldo, jogadores dentro do Atlético que vistam a camisa, que se dediquem ao máximo, independente[mente] de ser titular. Uma grande força é o Petraglia, ele conhece muito o clube. Mas a cobrança vai existir e espero que a gente possa absorver isso pelo lado positivo e dentro de campo vir naturalmente a conquista.

Paraná Online –  Você e o Paulo Baier têm uma ligação muito forte. Mantiveram essa proximidade nas férias? Em 2012, segue a parceria?

Marcinho – Agora nas férias ele até me fez encomendas. Mas primeiro quero dinheiro, depois entrego a encomenda [risos]. Isso vem desde o começo. Como sempre digo, o ‘Veinho’ é diferente. Estamos sempre juntos, sentamos na mesma mesa, entramos juntos no campo. Nós nos identificamos e aí as coisas fluem. A gente se completa como jogador. Um olha para o outro e já sabe a jogada que tem que fazer. Fora de campo a amizade com ele é diferente. O Paulo é referência profissional e comandante dentro de campo. Com as características do novo técnico, mais ofensivo, acredito que nosso futebol melhore. Os melhores times hoje jogam para frente, e isso me chamou atenção no técnico novo. É o que temos que fazer.

Paraná Online – Como funcionava essa parceria dentro de campo?

Marcinho – Isso era muito bom e muitas vezes eu e o Paulo conversávamos com os jogadores nos vestiários, antes dos jogos, e falávamos: vamos jogar mais para frente, deixa tudo para lá. Em muitos jogos que conseguimos pontos foi dessa maneira. Eu e o Paulo sempre comentamos que tem que olhar as características do time para montar a equipe e olhávamos muito isso. Se tem um time alto e forte, vai ser difícil jogar na velocidade. Se os jogadores são mais leves, você vai usar velocidade. Tem que jogar em cima disso e fazíamos isso, conversávamos. Mas você só consegue isso quando tem jogador comprometido, quando tem grupo.