Buenos Aires – Durante quatro dias, o ex-jogador do futebol argentino, Diego Armando Maradona, foi o paciente mais indesejável do país. De quinta-feira até ontem, o polêmico “El Diez” foi recusado pela maioria das clínicas de tratamento contra a dependência das drogas dentro da Argentina. Finalmente, a Clínica del Parque aceitou encarregar-se do tratamento do ex-jogador, um consumidor de drogas nos últimos 15 anos.

Um comunicado oficial da Clínica Suíço-Argentin, a onde estava internado, informou ontem que os médicos haviam dado a alta a Maradona, e confirmavam a transferência para outra clínica. A Suíço-Argentina não é especializada em tratamento contra as drogas.

Encontrar um lugar para Maradona não foi fácil. O ex-jogador já havia demonstrado que era um paciente complicado desde sua primeira internação na Suíço-Argentina, no dia 18 de abril.

Depois de oito dias inconsciente, Maradona acordou e começou a infernizar a vida dos médicos: derrubou pratos de comida da dieta no chão e pediu um churrasco. Depois, pediu uma bola, com a qual jogou uma mini-pelada com o veterano jogador Ricardo Bochini na sala da UTI. Para completar, dias depois, deixou a clínica precipitadamente, sem ter a alta dos médicos.

Maradona foi à chácara de um amigo empresário, onde viveu cinco dias de loucura. Jogou golfe durante longas horas, jogou-se na água gelada da piscina, e de quebra, devorou tudo o que havia dentro e fora da geladeira como se fosse “a última ceia”. Afetado pela síndrome de abstinência das drogas, empanturrou-se de croissants e foi parar novamente na Suíço-Argentina com um quadro de “trangressão alimentícia”. Ou seja, uma “overdose” de comida.

A calma foi breve. Na quinta-feira, quando novamente acordou, furioso e aos gritos, teria agredido sua ex-esposa e o irmão. Depois de ter tentado quebrar os móveis da UTI, sem sucesso, saiu no corredor da clínica, onde – no meio de um delírio – tentou deter “táxis” que imaginava que passavam sem se deter.

A situação da Suíço-Argentina era insustentável. Maradona estava espantando novos pacientes, irritando com os gritos os que já estavam internados. Como se fosse pouco, um enxame de jornalistas se aglomerava nas portas da clínica, impedindo seu funcionamento normal.