O ato de racismo que o zagueiro Danilo, hoje na Udinese, praticou contra Manoel, do Atlético, entra para a história como o primeiro caso a receber condenação por esse tipo de crime do futebol brasileiro. Foi em 17 de abril de 2010, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, quando Danilo defendia o Palmeiras. No jogo de ida do torneio, no Parque Antarctica, o defensor palmeirense cuspiu e chamou de “macaco” o jogador. Passados mais de dois anos, a juiza Teresa de Almeida Ribeiro Magalhães, da 18.ª Vara Criminal de São Paulo, deu a sentença: condenou Danilo por injúria qualificada a um ano de reclusão e multa de R$ 27.120,00. Cabe recurso contra a decisão.

Por ser réu primário, a Justiça determinou que o jogador cumpra a pena em regime aberto. Segundo a sentença, a condenação poderá ser substituída por prestação pecuniária de 500 salários mínimos, equivalente a R$ 339 mil, a serem destinados para a instituição de caridade Casa Vida, de São Paulo. Segundo o advogado Rolf Koerner Júnior, que defendeu o zagueiro Manoel, o próximo passo será entrar com uma representação contra Danilo por danos morais. “Foi uma humilhação muito grande para o jogador. Vamos entrar com o pedido de dano moral. Vamos analisar a repercussão e o reflexo que isso teve também dentro da própria família do jogador e ficará a cargo do juiz analisar a gravidade do fato e a quantia que o Danilo terá que indenizar o Manoel”, explicou.

O caso é, para o advogado de Manoel, um exemplo a ser seguido no futebol brasileiro e mundial, que viu na semana passada mais um caso de racismo. Desta vez, na Itália, o meio-campo Boateng, do Milan, deixou o amistoso quando ouviu gritos racistas de um grupo de torcedores da cidade italiana de Pro Patria. “Isso tem que ser tomado como exemplo. Tudo foi filmado e isso criou uma revolta geral muito grande. O Manoel teve uma repercussão negativa enorme na sua vida. É importante que todos os jogadores tomem isso como ponto de partida para que casos assim sirvam para educar e não se repitam mais”, cravou o advogado do zagueiro atleticano.

Durante o julgamento, a defesa de Danilo tentou algumas manobras para amenizar a condenação, mas sem sucesso. Koerner Júnior disse ainda que o ex-zagueiro do Atlético e do Palmeiras tentou convencer a juíza Teresa de Almeida Ribeiro Magalhães de que fez de tudo para se desculpar e se reconciliar com Manoel. “O Danilo, no seu depoimento, confessou que chamou o Manoel de macaco, mas tentou amenizar a situação e afirmou que houve uma reconciliação entre ele e o Manoel. Mas isso não é verdade e houve apenas um pedido de desculpas formal dele. Não havia como, e a pena aplicada é justa”, apontou. O advogado de Manoel disse também que a ação por danos morais que o zagueiro pretende mover contra Danilo será instaurada nas próximas semanas.