Após a vitória por 3 a 1 sobre a Dinamarca, o técnico Mano Menezes confirmou que Neymar voltará à equipe titular da seleção no jogo do dia 4 de junho, contra os Estados Unidos, em Washington. Mas alerta: não quer criar uma dependência no santista. Mano não disfarçava o alívio com o triunfo do último sábado, em Hamburgo, e insinuava que a resposta à pressão que está sofrendo da nova direção da CBF será em campo. Só ganhou um novo problema: como deixar Hulk de fora da convocação olímpica depois da atuação decisiva deste sábado.

“Certamente Neymar vai jogar”, disse. “Mas não vamos ter uma seleção baseado em Neymar, Ganso. É perigoso ter um time baseado em um nome porque toda a preparação pode ir água abaixo se eles não forem para uma Copa ou não estiverem bem. Precisamos de uma equipe”, apontou.

Mano ainda insinuou uma resposta à cobrança da nova direção da CBF por resultados. “São sete vitórias seguidas”, disse. “São dados objetivos de que a seleção está crescendo”, insistiu. “É uma renovação extremamente grande que vai fechar dois anos e vai nos colocar no mesmo estágio que estava quando eu assumi o trabalho, mais com o trabalho direcionado para 2014”, apontou, destacando que são vitórias como a deste sábado que trazem confiança ao grupo.

HULK – Se o jogo representou um oxigênio para Mano, ele abriu um novo dilema: convocar ou não Hulk para a Olimpíada, depois de ter sido decisivo neste sábado com dois gols e participação fundamental no terceiro. Hulk tem mais de 23 anos e teria de entrar na cota de três jogadores que cada seleção tem direito a levar a Londres acima desta idade. O problema é que Mano planejava usar a cota para levar aos Jogos Thiago Silva, David Luiz e Daniel Alves.

“Já estava no tempo de ter um jogador como ele, um jogador de conclusão. Só com jogadores com essa capacidade teremos um seleção como queremos”, admitiu Mano.

Para Hulk, Mano terá de tomar um “decisão difícil” e não escondia sua satisfação com seu desempenho. “Mano está observando com calma, dando a chance aos jogadores”, disse. Questionado se ficaria frustrado se não fosse a Londres, o atacante reconheceu que sim. “Você fica magoado, mas é opção do treinador”, afirmou.

Outro que ganhou elogios de Mano foi Oscar, destaque da partida e que não se intimidou nem com o adversário e nem com a camisa 10 nas costas. Substituindo Ganso, contundido, o jogador estreou neste sábado como titular e quer “crescer nos próximos jogos”. “Oscar fez um grande jogo é um dos que vai estar na Olimpíada. Ganso também”, disse Mano. “É sempre melhor ter dois para compartilhar essa responsabilidade para armar”.

Mano ainda elogiou a personalidade do time neste sábado, indicando que isso mostraria o grau de maturidade dos jogadores, mesmo que jovens. Isso permitiu que a seleção aceitasse uma mudança de mentalidade, marcando mais adiantado, algo inédito no futebol brasileiro. Ele acredita que a Dinamarca ficou surpresa com a atitude brasileira e “não esperava personalidade, por ser equipe jovem”. “Não é natural que tenha personalidade para fazer isso contra equipe madura”, disse.