Na condição de ídolo, o armador Lúcio Flávio se mostrava decepcionado com a situação do Paraná Clube. Em anos anteriores, acompanhava o drama à distância. Agora, transformou-se em personagem desta novela de gosto duvidoso. Na sua visão, a nota divulgada pelos atletas tornou-se necessária para que os torcedores tomassem ciência da realidade do clube. “Temos muitos jogadores e funcionários que não têm condições até de vir trabalhar diante desses atrasos salariais. É lamentável que tudo tenha chegado a esse ponto”.

Lúcio Flávio já conviveu com salários atrasados em outros clubes. No Botafogo, isso era quase uma rotina. “Só que é diferente você falar de atraso para quem tem altos salários. Não é o caso do Paraná. Aqui, as dificuldades acabam refletindo diretamente no dia a dia”, destacou. O jogador confirmou que internamente os atletas descartaram qualquer possibilidade de greve ou paralisação. “A opção foi pela nota de esclarecimento, para que todos entendam esse nosso momento”.

Para o meia, nunca faltou empenho ou profissionalismo aos jogadores. Porém, quando os treinamentos são afetados, há reflexo no jogo. “Na hora que a bola rola, ninguém fica pensando se está com salário atrasado ou não. Mas, se você não treina bem a semana, o rendimento no jogo cai. É natural. E, se você está com a cabeça cheia com outras coisas, não se concentra nos treinos e o trabalho não rende. Isso acontece no futebol ou em qualquer profissão”, destacou.

Lúcio disse ainda que a nota divulgada na terça-feira não se limitou apenas aos salários atrasados porque eles (atletas) sentem dificuldades com outros problemas estruturais. “Na questão do gramado, o piso ruim tem prejudicado os treinos”, ressaltou. Nessa questão, a diretoria negou que haja negligência. “Temos uma empresa terceirizada (a Grasstecno) que cuida do gramado do Boqueirão e da Vila. Não sei de onde surgiu essa informação de abandono. Isso não existe”, garantiu o superintendente Celso Bittencourt.