Nivaldo, Capixaba e Miranda
comemoram a virada coxa que fez a
torcida sumir com as vaias no Couto.

O futebol está nivelado. Por esse motivo, o técnico Antônio Lopes acha que o Coritiba está pronto para enfrentar o Olimpia, amanhã, às 19h30, no Couto Pereira. Apesar de ter como adversário no sábado o Malutrom, que demonstrou insuficiência técnica, o comandante coxa acredita que o time segue evoluindo, e que pode, enfim, ter o equilíbrio que ele tanto espera.

Lopes chegou a exagerar na sua visão. “O Malutrom tem todas as condições de encarar o Olimpia”, disse, ao comentar o rendimento do Coritiba no sábado. “Eu estou satisfeito, porque o time mostrou avanços, melhorou no segundo tempo e poderia até ter feito quatro ou cinco gols. Erramos em algumas coisas, mas isso é normal. Não existe time perfeito”, assegurou.

Isso faz o treinador, em suas próprias palavras, evitar que a vitória mascare os defeitos do time. “Aqui no Coritiba essas coisas não acontecem. Vamos tentar corrigir o máximo possível, encontrar soluções para os problemas e continuar a evoluir”, comentou Lopes, que desta vez preferiu não enumerar as falhas alviverdes.

Mas ficou claro que ele gostou da entrada de Eder no lugar de Pepo, que cobrou a falta que originou o gol de Luís Carlos Capixaba. Essa talvez seja a única dúvida do time, caso ele mantenha o pensamento de recolocar Reginaldo Nascimento como zagueiro, com a conseqüente saída de Nivaldo, a volta de Fernando ao gol, se liberado pelos médicos, é certa.

Mas Nascimento também pode entrar no meio (ou fazendo a função de terceiro zagueiro), exatamente no lugar de Pepo, já que Márcio Egídio teve boa atuação e permanece no time. Nas outras posições não haverá mudanças, até para que a equipe que atuou no sábado possa ganhar entrosamento. “Nós estamos crescendo, e olhe que mudamos muito nessas últimas partidas”, resumiu o atacante Luís Mário.

Trabalhos

Ontem pela manhã, os jogadores retomaram as atividades com um treino leve no CT da Graciosa. O treino que define o time para a partida de amanhã acontece às 16h, no Couto Pereira. Antes, às 15h, na loja oficial do clube (no prédio que abriga o elevador do estádio) será lançada a nova camisa coxa. Além dos tradicionais uniformes, vai ser apresentada o “kit? comemorativo da participação na Libertadores.

Time supera pressão e cala a boca da torcida

Com certeza não foi a atuação que se esperava do Coritiba. Mas era previsível que isso acontecesse. Afinal, pressionado pela torcida, criticado pela mídia e avaliado pela direção, o time e a comissão técnica alviverde viveram no sábado momentos de alta tensão. No final, tudo acabou (relativamente) bem, com a vitória de virada sobre o Malutrom por 2×1, no Couto Pereira.

O primeiro ponto positivo do Cori foi visto logo nos primeiros minutos. Comparado à lentidão do meio-de-campo nos últimos jogos, a entrada de Igor deixou o time “elétrico”. O armador movimentou-se por todo o campo, tornando-se uma opção para tabelas com Luís Mário e Laércio. Os dois atacantes também mostraram maior entendimento, o que foi decisivo para a vitória.

Só que as falhas reapareceram. Adriano, em má fase técnica, não conseguiu chegar à linha de fundo. Jucemar saía em demasia da lateral-direita, abrindo espaços perigosos para o ataque do Malutrom. E foi em uma dessas jogadas que Sabiá venceu dois marcadores e acabou derrubado por Miranda. Na cobrança, aos 25 minutos do primeiro tempo, Altair venceu Douglas e abriu o placar. Com as vaias, o Coxa sentiu o baque e partiu desordenadamente para o ataque. Quando parecia que o time seguiria para o intervalo com a desvantagem, Capixaba encontrou Laércio (em posição duvidosa) livre. O “Pérola Negra” driblou Rodrigão e ficou sem ângulo. Com inteligência, ele passou para Luís Mário, que tocou para o gol e empatou a partida.

No segundo tempo, Antônio Lopes fez o que parecia uma heresia: colocou Eder e Ricardo, sacando Pepo e Adriano. O Coxa melhorou, e aos 18 minutos Laércio foi derrubado. Eder cobrou a falta, a bola explodiu na trave e Luís Carlos Capixaba fez o gol que definiu o jogo. As vaias diminuíram, mas não cessaram só que ficaram em segundo plano. O alívio pela vitória era bem mais eloqüente.

Diretoria garante técnico. E ele pede mais paciência

“O Antônio Lopes está mais firme que uma rocha.” O recado do presidente Giovani Gionédis foi claro para quem quisesse ouvir e até para quem não quisesse. Apesar de ter sido bastante cobrado pela torcida durante a vitória de 2×1 sobre o Malutrom, sábado, no Couto Pereira, o treinador do Coritiba não sofre pressões internas, podendo trabalhar com tranqüilidade para o jogo decisivo da Libertadores contra o Olimpia, amanhã, às 19h30, no Couto Pereira. E Lopes garantiu não ter se irritado com as vaias.

As reclamações começaram no momento em que Sabiá foi derrubado por Miranda, no primeiro tempo. Nem mesmo o gol de empate coxa, marcado por Luís Mário (de novo o melhor em campo), aplacou a ira dos torcedores, que gritaram “Fora Antônio Lopes” e chegaram a discutir com a diretoria, que estava em um camarote. “A torcida reclama porque quer vitórias. Quando viramos o jogo, não houve mais vaias”, minimizou Gionédis.

O apoio do elenco foi representado pelo próprio “Papa-léguas”, que foi o capitão alviverde no sábado. “Ele tomou duas atitudes de muito valor, que provam sua capacidade e sua importância. A primeira foi beijar a face do professor Lopes na hora do gol. E depois a entrega da tarja de capitão ao Nivaldo, mostrando o acerto de nosso treinador ao escalá-lo”, comentou o vice-presidente Domingos Moro.

Luís Mário foi um dos jogadores que reclamaram do excesso de cobranças. “A torcida tem que incentivar, tem que continuar nos apoiando. Eles só vão ajudar se fizerem isso”, disse o atacante. Além dele, o goleiro Douglas também pediu calma. “Eu entendo a posição da torcida, mas eles não podem se esquecer que eu, com 23 anos, era o jogador mais velho na defesa. É hora de dar força para esse time”, desabafou.

Para Lopes, as vaias são normais. “Eu já estou nessa vida há muito tempo, e já me acostumei com essas coisas. Não vou ficar me irritando por isso”, resumiu, para depois fazer também um apelo. “Se quiserem me vaiar, podem vaiar. Mas não prejudiquem os jogadores. Nós temos uma geração talentosa, de muito futuro, e que não pode ser cobrada. Cobrem de mim, mas não vaiem os atletas”, pediu. Apesar de estar avaliando o trabalho da comissão técnica e até mesmo o processo de contratações para a temporada, a diretoria deu mão forte à comissão técnica. Quatro dos nove membros da Diretoria Executiva estiveram no vestiário do Alto da Glória, e o presidente Gionédis reafirmou que o momento é de formação de um grupo. “Nós temos a Libertadores, mas também temos o brasileiro, e precisamos montar um grupo. Saíram vários jogadores, e ainda estamos montando o elenco e o time”, disse.

Serviço

Quem quiser assistir a Coritiba x Olimpia pagará os seguintes valores: arquibancada, R$ 20,00; cadeira inferior, R$ 50,00; cadeira superior, R$ 70,00. Menores de 12 anos, maiores de 60, estudantes e mulheres pagam meia-entrada em todos os setores do Alto da Glória. Os postos de venda são o Couto Pereira, as lojas do clube nos shoppings Total e Cidade, as lojas Trio de Ferro no PolloShop Alto da XV e em Santa Felicidade, as lojas Alfaluz nas ruas Carlos de Carvalho e Tibagi, as lotéricas Estrela da Sorte (Centro) e Carmo (Boqueirão) e a Premium Artigos Esportivos, no Centro.

CAMPEONATO PARANAENSE
1ª FASE ­ 6ª RODADA
Local: Couto Pereira
Árbitro: Anísio Monteschio Júnior
Assistentes: Marco Aurélio Paes e Altair Luiz Daghetti
Gols: Altair 25 e Luís Mário 45 do 1º; Luís Carlos Capixaba 18 do 2º
Cartões amarelos: Miranda, Ricardo (CFC); Rafael, Anderson, Fábio, Juarez (MAL)
Renda: R$ 14.355,00
Público: 2.801 pagantes

CORITIBA
2X1
MALUTROM

CORITIBA
Douglas, Jucemar, Miranda, Nivaldo, Adriano (Ricardo), Márcio Egídio, Pepo (Eder), L. C. Capixaba, Igor, Laércio, Luís Mário (Josafá). Técnico: Antônio Lopes

MALUTROM
Rodrigão, Rafael (Michael), Leonardo, Ernandes, Emerson, Anderson (Juarez), Iverton, Fábio, Marcelo, Sabiá, Altair (Neto). Técnico: Mauro Madureira