Das duas listas divulgadas ontem pelo técnico Dunga, a que nomeou os sete “excluídos” da Seleção Brasileira foi a que mais agradou o torcedor. Nela estava um dos nomes que tornou-se um verdadeiro clamor popular recentemente: o do meio-campo Paulo Henrique Ganso, do Santos. Ele e mais seis jogadores – Alex (zagueiro do Chelsea), Marcelo (lateral-esquerdo do Real Madrid), Sandro (volante do Internacional), Carlos Eduardo (meia do Hoffenheim), Ronaldinho (meia do Milan) e Diego Tardelli (atacante do Atlético-MG) – só terão chance de ir ao Mundial se algum dos 23 convocados pelo treinador vier a se lesionar e for cortado.

Porém, nem Ganso nem os outros seis podem alimentar esperanças. A lógica da Fifa é estranha. Até sexta-feira é preciso enviar a lista de 30 nomes. No dia 1.º de junho, as confederações nacionais são obrigadas a inscrever os 23 atletas que vão jogar a Copa. Caso algum jogador se lesione seriamente, e fique fora do Mundial, os treinadores podem realizar alterações que não incluem, necessariamente, um dos sete da lista suplementar.

Ontem, no entanto, Dunga não deu tanta relevância a isso. Tanto que divulgou os 23 no começo da tarde e só horas depois soltou os outros setes nomes, mas meramente para cumprir o protocolo exigido pela Fifa.

O treinador demonstrou convicção nos 23 atletas convocado durante um evento midiático em um hotel do Rio de Janeiro, mas, certamente, os nomes não são unanimidade. Dunga alegou coerência no trabalho de 3 anos e meio e se apoiou no patriotismo para sustentar sua lista e obter o apoio da torcida. Mesmo assim, não evitou polêmicas. Primeiro, por chamar jogadores como os contestados Doni, Júlio Baptista e Josué. Segundo, pelas justificativas que fugiram do habitual no futebol e se concentraram em temas subjetivos, como entrega, comprometimento e atitude. “Pautamos pelo comprometimento, atitude, jogadores que chamam a responsabilidade, pela paixão, pela emoção de jogar na Seleção Brasileira. Chamamos atletas que sabem do desgaste, da responsabilidade, da cobrança e da (necessidade de) se doar”, explicou, admitindo que a pior decisão foi a que definiu o corte de Adriano.