O técnico Cuca reestreia pelo Palmeiras neste domingo contra o Vasco, no estádio Allianz Parque, em São Paulo, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Apesar da euforia dos torcedores palmeirenses pelo retorno do treinador campeão no ano passado, ele pediu cautela à torcida. Quem já ganhou o torneio sabe que não será nada fácil conquistar pela segunda vez a competição mais equilibrada do mundo.

Em comparação às seis maiores ligas do planeta, o Brasileirão é o que inicia com o maior número de equipes em condições de conquistar o título. Claro que existem favoritos, como o próprio Palmeiras, muito pelo investimento desmedido de sua parceira, ou o Flamengo, outro clube que parece alheio à crise econômica. Mas é impossível descartar Corinthians, Santos, São Paulo, Grêmio, Atlético Mineiro, Cruzeiro, Fluminense…

De 1971, ano da primeira edição do Brasileirão – mais tarde, os títulos conquistados de 1959 a 1970 foram unificados pela CBF -, para cá, o Brasil registrou 17 campeões contra 12 de Inglaterra e França, seguidos de Alemanha e Itália (ambos com nove), Espanha (sete) e Portugal (quatro). Exceção feita ao Campeonato Francês, todos os outros apresentam uma concentração de forças. São sempre poucos times brigando pelo título. “Certamente o Brasileiro é o mais equilibrado do mundo. Você pode colocar aí 10, 12 times em condições de brigar pelo título”, afirmou o ex-atacante Careca, campeão italiano pelo Napoli na temporada 1989/1990 ao lado do argentino Diego Maradona.

Por lá, a Juventus é soberana, com as equipes de Milão brigando pelo segundo posto. “Existem campeonatos mais difíceis, mas competitivo como é o Campeonato Brasileiro, não há”, completou Careca.

Campeão pelo La Coruña em 1999/2000, em um campeonato em que Real Madrid e Barcelona se revezam na conquista dos títulos com raríssimas exceções, o ex-meia Djalminha aponta que o Brasileirão se tornou o mais equilibrado do mundo principalmente depois da mudança na fórmula de disputa, em 2003. “Desde que mudou para o sistema de pontos corridos, ficou claro (que o Brasileirão é o mais equilibrado) porque não tem nenhum time superior ao outro. Esse é o motivo. Não podemos confundir equilíbrio com dificuldade. Não é o mais difícil, é o mais equilibrado”, analisou.

INVESTIMENTO – Para Djalminha, o equilíbrio está ligado ao poder financeiro. “Na Espanha, temos o costume de dizer que só ganha Real e Barça, mas olha os times em relação aos rivais? Se Flamengo e Corinthians fossem assim, eles também ganhariam tudo. A diferença é essa”.

Campeão brasileiro pelo Santos em 2002, o ex-atacante Aberto concorda com Djalminha. “São níveis diferentes. É o mais equilibrado porque os clubes conseguem chegar em um orçamento parecido”, afirmou. “Você tem o Palmeiras, que me parece ter muito dinheiro, se reforça mais, consegue um elenco maior e de qualidade. Mas isso também não faz com que o time seja o campeão garantido, que vai existir uma briga apenas para quem vai ficar em segundo”.

Assim como Alberto, Djalminha e Careca não arriscam palpites para campeão em 2017. “O Palmeiras foi campeão em 2016, contratou, tem praticamente dois times, mas não o vejo como favorito absoluto. É um dos candidatos. Temos alguns times na briga pelo campeonato”, disse Djalminha. “O Palmeiras, agora com o Cuca, tem tudo para chegar, mas tem São Paulo, Corinthians, Grêmio, Flamengo, os clubes de Minas…”, completou Careca.

Alberto faz um alerta. Segundo ele, diante de um campeonato tão equilibrado, o bom desempenho no Estadual não pode servir de parâmetro para o Campeonato Brasileiro. “Quem vai mal no Estadual acaba se reforçando e se acerta e o que ganhou, não. Isso faz diferença”, disse. “O Inter foi campeão gaúcho em 2016, começou até como líder no Brasileiro e depois foi rebaixado à Série B”.