Orlando Kissner
Borges é o artilheiro do time,
mas não marca há oito rodadas.

O fraco desempenho no segundo turno do Brasileiro praticamente jogou por terra o sonho do Paraná Clube de, pela primeira vez, disputar uma Libertadores da América. A rigor, o objetivo principal do clube sempre foi se manter na primeira divisão. Só que a campanha expressiva nas primeiras 21 rodadas fez o Tricolor sonhar mais alto. Além de retomar um bom futebol, o time de Luiz Carlos Barbieri teria que praticamente dobrar a sua atual pontuação, tendo pela frente apenas 17 jogos.

Rotulado como ?favorito? ao descenso, o Paraná subverteu os prognósticos com um desempenho surpreendente até mesmo para o então técnico da equipe, Lori Sandri. O Tricolor chegou ao término da primeira fase ostentando números expressivos: defesa menos vazada, equipe com o menor número de derrotas e maior saldo de gols. A competência do grupo colocou o clube, pela primeira vez em sua história na 3.ª colocação em um estágio tão avançado da competição. Só que a partir da segunda rodada do returno, todas essas marcas começaram a se diluir em meio a sucessivas derrotas.

Logo após o primeiro tropeço (0x4 para o São Paulo), o Paraná perdeu Lori Sandri para o futebol turco. Luiz Carlos Barbieri chegou e, mesmo sem mudar a formação do time, foi ?batizado? com duas derrotas, para Juventude (0x2) e Palmeiras (1×3). Diretoria, comissão técnica e jogadores não encontram explicações para o decréscimo de produção. Os jogos em Maringá foram, tecnicamente, um desastre. Mas, mais do que isso, o time não conseguiu colocar em campo a mesma pegada, responsável por vitórias expressivas fora de casa.

Foram cinco triunfos na condição de visitante (Palmeiras, Fluminense, Internacional, Paysandu e Cruzeiro). Nas últimas partidas o que se viu foi um time sem a mesma gana de jogos anteriores e como castigo o Tricolor despencou da 3.ª para a 7.ª posição. Pior do que isso: agora, são seis pontos de desvantagem em relação aos times que ocupam a zona de classificação à Libertadores. Para terminar a temporada entre os quatro primeiros – tomando-se por base o atual rendimento das equipes, o Tricolor teria que obter um rendimento superior a 70% ao longo das 17 rodadas que restam.

Na prática, isso representa um mínimo de 12 vitórias a partir de sábado, quando encara a Ponte Preta, em Campinas. O Paraná faz apenas oito jogos em casa (ainda com a possibilidade de abrir mão de um mando e enfrentar o Internacional em Cascavel) e nove partidas em terreno inimigo. Impossível? Os jogadores acreditam que não, mas sabem que o time precisa dar uma guinada em seu atual momento. Se no primeiro turno o Paraná levou 19 gols em 21 jogos, a defesa já foi vencida 10 vezes em apenas 4 partidas. Isso sem contar que o ataque também não está produzindo. Os atacantes não balançam as redes há oito rodadas.

Se chegar à Libertadores parece hoje um sonho distante, para se garantir ao menos na Copa Sul-Americana o caminho é menos tortuoso – mas nem por isso sereno. O Tricolor precisa vencer mais oito jogos (aproveitamento de quase 50%) para encerrar o ano entre os onze primeiros colocados.

Diretoria não abre o jogo

Contatos estão sendo feitos, mas a diretoria não comenta sobre reforços enquanto transações não estiverem concluídas. Informações vazadas – como a do interesse do Tricolor no meia Sandro (Ituano) – acabaram sendo prejudiciais nas negociações. ?Para o Paraná é tudo mais difícil, pois às vezes precisamos fazer mágica para conseguir trazer atletas de qualidade?, desabafou o vice de futebol José Domingos. ?Enquanto outros clubes assinam os cheques, temos que buscar parcerias e negociar percentuais?.

É o caso, por exemplo, de Wando, atacante do Vila Nova. Há tempos o jogador está nos planos do clube, mas a falta de capital mostra-se um grande obstáculo. Wando está acertando com o Cruzeiro, que também levou Alecsandro, do Vitória.