A boa fase é refletida nas bilheterias,
com grande procura por ingressos no dia de ontem.

A goleada por 5 a 0 sobre o Corinthians rendeu ao Atlético projeção nacional, um novo interesse pelo futebol rubro-negro e muito mais respeito pelo campeão brasileiro de 2001. Este é o lado bom. O lado ruim é que as equipes passaram a olhar muito mais as virtudes do time de Levir Culpi e vão tentar vir para a Arena vacinadas contra as jogadas de Jádson, Dagoberto, Ilan, Washington e companhia. Mesmo com a boa fase, ninguém quer dar bobeira e vacilar diante do Cruzeiro, (às 18 horas de domingo, na Arena) apesar da série de desfalques do adversário.

“Na verdade, o Atlético tem um time a ser respeitado, todo mundo conhece a característica dos jogadores, que são rápidos, e o time que vier na Baixada não vem pressionando completamente o Atlético”, analisa o treinador atleticano. Segundo ele, esse já é um respeito que o clube alcançou ao longo dos anos, mas reforçado pela tunda no Timão, e pouca gente vai se arriscar no Caldeirão. “É raro de acontecer e as equipes grandes se equivalem e a gente sabe que elas vão criar situações de ataque também”, aponta.

Diante da Raposa, Levir diz que o planejamento vai ser fundamental. “É um jogo de estratégia, de calma e, acima de tudo, o Atlético tem que tentar se impor dentro da Arena, nossa casa, e o time tem que ter uma mentalidade ofensiva”, destaca. Para tanto, as análises da equipe mineira já começaram a ser feitas. “O Cruzeiro, nessa última partida, jogou taticamente bem postado atrás, quase no meio-de-campo, e puxando os contra-ataques rápidos”, diz.

Já no domingo, o técnico Émerson Leão não poderá contar com mais de meio time. A Raposa virá para Curitiba sem Gomes, Cris, Wendell, Alex, Guilherme, entre outros, mas Levir não aposta no enfraquecimento do atual campeão brasileiro. “Não, até porque tem as voltas de alguns jogadores. É um elenco muito grande e muito qualificado. Nós também não teremos o Fernandinho, então não estou considerando desfalques e o time deles virá com tudo”, pondera.

No treinamento de ontem, Levir testou duas formações distintas onde uma tinha três zagueiros e a outra três atacantes, mas definição, ele empurra para mais longe. A principal dúvida do treinador está em usar o zagueiro Rogério Correia numa formação 3-5-2 ou o atacante Washington no 4-3-3. Um dos dois entraria na vaga de Fernandinho, que cumpre suspensão automática. Hoje à tarde, Levir comanda um trabalho técnico e tático, mas deverá guardar a escalação para momentos antes da partida.

É grande a procura por ingressos

A procura pelos ingressos para a partida Atlético x Cruzeiro, às 18 horas de domingo, na Arena, foi grande durante o dia de ontem. No principal ponto de venda, no próprio Estádio Joaquim Américo, as bilheterias abriram com atraso, ocasionando fila, que foi logo superada. O principal problema encontrado pelos torcedores foi encontrar o local ideal para assistir a partida, mas o pensamento é de que a setorização veio para ficar.

O clube expôs nos locais de venda dos ingressos todos os detalhes dos novos setores da Arena. São três tipos de ingressos, de acordo com o piso escolhido, mas subdivididos por subsetores, onde o torcedor pode escolher onde acha melhor acompanhar a partida. O clube não vai permitir a migração de um setor para outro. Quem comprar, por exemplo, a cadeira na bancada superior, no setor 300, não pode se sentar em nenhum outro setor do estádio.

As primeiras impressões do torcedor são favoráveis ao novo sistema. “Achei interessante, achei que valeu a pena. O fato de estar setorizado era o que o pessoal queria e foi uma idéia boa”, diz o torcedor Rodrigo Pont. Para ele, o único problema pode acontecer pouco tempo antes dos jogos. “Na hora do vamos ver, vai ser complicado e o pessoal vai se bater um pouco”, aponta. Ele diz que, aos poucos, com o tempo, a torcida irá se acostumar. “Mas, vai demorar um bom tempo”, prevê.

A carga inicial para a partida contra a Raposa é de 13,3 mil entradas, mas esse número pode subir conforme a procura dos torcedores. O próprio clube fabrica seus ingressos. Para acompanhar o Furacão, o torcedor tem três opções: reta superior, R$ 50,00; reta inferior, R$ 30,00 e demais setores, R$ 15,00. Estudantes e idosos têm 50% de desconto. Os bilhetes podem ser adquiridos no próprio estádio; nas lojas Candeias, Agroplantas e Sementes, Arena Store e Duplo Sentido; quiosques do clube nos shoppings Total e Curitiba e churrascaria Napolitana.

Estudantes privilegiados

Gisele Rech

O direito dos estudantes de pagar meio ingresso em jogos de futebol profissional continua assegurado em Curitiba. Nesta semana, ocorreu a renovação do Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, firmado entre representantes do Atlético, Paraná e Coritiba com o Procon.

Em 2003, após várias denúncias no Procon, o diretor-presidente da entidade, Algaci Túlio, convocou dirigentes dos clubes da capital e após duas reuniões, ficou assegurado o cumprimento da Lei Estadual 11.182/95, que garante o pagamento de metade do valor cobrado para o ingresso em casas de espetáculos e similares aos estudantes regularmente matriculados em estabelecimentos de ensino no Paraná.

Entretanto, para assegurar esse direito, não basta o estudante mostrar a carteira da entidade de ensino. O acordo normatiza a medida provisória n.2.208/01, que dispõe sobre a comprovação da qualidade de estudante para o meio ingresso. Ou seja, se a carteirinha de estudante não contiver o prazo de validade, com fotografia, o estudante terá de apresentar comprovante de pagamento de mensalidade ou comprovante de matrícula, no caso de instituições públicas.

Espaço

Conforme o acordo, o Atlético se compromete a dispor de no mínimo 30% dos ingressos para a cadeira comum e 10% da social. O Coritiba, no mínimo 30% para arquibancada, cadeira comum e social. O Paraná, no mínimo 30% para as cadeiras, considerando-se a carga de ingressos disponibilizada para cada evento. Os camarotes estão excluídos.

“Os clubes também se obrigam a informar , com antecedência de no mínimo 72 horas da data do evento, a quantidade de ingressos a serem disponibilizados, bem como a quantidade relativa aos estudantes”, diz o Procon.