Após o atletismo, a Rússia agora também corre o risco de ser suspensa e ficar fora das competições de levantamento de peso nos Jogos Olímpicos do Rio. Nesta segunda-feira, o Comitê Executivo da Federação Internacional de Levantamento de Peso (IWF, na sigla em inglês) anunciou que fará um dia inteiro de reuniões sobre doping durante um encontro em Tbilisi, na Geórgia, entre quarta e quinta-feira.

As regras de classificação para o Rio-2016, publicadas pela IWF e pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) são claras: se nove ou mais atletas foram flagrados em exame antidoping em um mesmo ano, o Comitê Executivo da IWF pode suspender a federação nacional por quatro anos, o que inclui a participação na Olimpíada.

No site da IWF aparecem sete punições aplicadas a halterofilistas russos apenas no ano passado. Nessa conta não constam os nomes da campeã mundial júnior Larisa Kobeleva e da campeã europeia júnior Nadezhda Ovchinnikova, que estão entre as seis atletas suspensas pela Agência Antidoping da Rússia (RUSADA) há duas semanas.

Com esses dois casos na conta, a Rússia chega a nove halterofilistas flagrados no doping em 2015 e passa a ser passível de exclusão. Essa regra já foi aplicada à Bulgária, que teve 11 casos de doping notificados às vésperas do Campeonato Europeu do ano passado. Os búlgaros recorrem à Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), localizada na Suíça. Romênia e Usbequistão perderam uma vaga cada.

Agora, Moldávia e Azerbaijão, cada um com seis atletas flagrados no doping em 2015, também podem perder uma vaga. Além disso, a situação do Casaquistão deve ser discutida. Os quatro medalhistas de ouro do país nos Jogos de Londres, em 2012, caíram no doping em reanálise realizada este ano e devem perder suas medalhas. São eles: Ilya Ilyin (até 94kg, atleta que nunca foi vencido), Zulfiya Chinshanlo (53kg), Maiya Maneza (63kg) e Svetlana Podobedova (75kg).

A situação preocupa a federação internacional. “Nós já mostramos nossa estrita postura de tolerância zero e continuamos comprometidos com o trabalho pelo esporte limpo”, disse a IWF, nesta segunda-feira, em comunicado.

A Rússia é uma potência da modalidade, tanto que ficou em primeiro lugar no masculino nos resultados somados dos Mundiais de 2014 e 2015. No ano passado, por exemplo, somou 151 pontos, contra 133 do Casaquistão, segundo colocado. No feminino, ficou em segundo no ranking, só atrás da China.

Ao se confirmar a suspensão, a Rússia deve perder as 10 vagas que conquistou no Rio-2016 – cota máxima. Considerando apenas a prova que soma o resultado do arranco e do arremesso (única prova disputada na Olimpíada), os russos ganharam nove medalhas no último Mundial, três de cada cor.