Rio – Tentar reconstruir sua vida foi a principal razão para a atacante Leila voltar ao vôlei de quadra. Emocionada, a atleta lembrou hoje que desde 2001, quando passou a atuar na praia, viveu sucessivos abalos pessoais, que a levaram ao desespero, sofrimento e até a falta de estímulo para jogar.
Nos dois últimos anos, Leila rompeu um casamento de dez anos, sofreu com uma crônica contusão no ombro esquerdo e enfrentou o maior “desafio” de sua vida, que foi a doença de sua mãe, Francisca, vítima há dois meses de um tumor ósseo. Episódios que tiraram sua “alegria de jogar”.
“Minha mãe sempre me apoiou e, quando ela adoeceu, toda a família ficou doente. Não tinha cabeça para treinar”, explicou Leila, que no dia 30 completará 32 anos. “Não é possível que aconteça algo pior. Agora, não quero planejar muito, somente viver.”
Ao deixar o vôlei de praia, Leila interrompeu uma parceria de dois meses com Mônica, que passará fazer dupla com Angela, uma brasiliense de 24 anos. De acordo com Leila, sua maior frustração neste período foi a de não ter obtido desempenhos satisfatórios.
“Ao ir para a praia, fazer dupla com a Sandra, estava saturada da quadra. Quis privilegiar minha vida pessoal optando por uma melhor qualidade de vida”, lembrou Leila. “Quis fazer o meu melhor, mas não deu. Muitas vezes, as pessoas esquecem que o atleta também tem um lado humano e pessoal.”
Cautelosa, Leila afirmou que o primeiro passo na nova vida dentro da seleção será o da humildade, seguido de cautela e trabalho. Para a atleta, nesta volta às quadras, o momento é o de ter atitude para conseguir uma readaptação fácil.
E em um rápido balanço, ainda frisou que problemas como o piso duro e a contusão no ombro esquerdo, onde já sofreu uma cirurgia, são suas principais preocupações. No entanto, assegurou que os empecilhos serão superados com novas qualidades adquiridas na praia.
“Não tenho dúvidas de que cresci muito tecnicamente. Precisei aprender a passar, a sacar, além de ter aprimorado minha visão tática da partida”, argumentou Leila.