Brasília – Jorge Lacerda da Rosa é o novo presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Candidato da oposição ao antigo ocupante do cargo, Nelson Nastás – afastado judicialmente da entidade -, ele venceu a eleição disputada ontem, em Brasília. A vitória foi por 15 votos a 10 contra José Farani, da situação. Uma terceira chapa, liderada por Hermenegildo Grassi, também participou, mas não foi votada.

A eleição de Jorge Lacerda da Rosa, até então presidente da Federação Catarinense de Tênis, deve determinar um novo momento para o esporte no Brasil. É o fim do período de obscuridade da gestão de Nelson Nastás, que teve as contas de sua administração rejeitadas e é acusado de diversas irregularidades.

Como a CBT estava sob intervenção, desde que Nastás foi afastado do cargo por ordem judicial, Jorge Lacerda da Rosa teve posse automática, sem a necessidade de se esperar o dia 31 de dezembro, final do mandato presidencial.

"É um momento histórico para o tênis brasileiro", definiu Jorge Lacerda da Rosa. "Acabou a bagunça. Infelizmente o tênis chegou a esta situação de crise e agora queremos todas as 25 federações juntas para um trabalho transparente, acima de tudo."

A crise do tênis brasileiro parece mesmo estar chegando ao fim. Além da volta dos jogadores ao time da Copa Davis, a CBT deverá ter novamente verbas da Lei Agnelo Piva. "A determinação do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) em não distribuir cota para o tênis foi uma punição às pessoas de Nelson Nastás e Carlos Alberto Martteloti, citados no processo do TCU (Tribunal de Contas da União), e não para a CBT", explicou o novo presidente. "Acredito que com a saída deles, e uma nova gestão, as verbas para 2005 serão novamente destinadas ao tênis."

Jorge Lacerda da Rosa já avisou que planeja fazer uma auditoria na CBT, além de descentralizar o poder, abrindo duas novas subsedes da entidade, no Rio e em Brasília, e de mudar de endereço em São Paulo, saindo da Avenida Paulista e indo para um lugar onde se possa ter quadras de tênis. Determinou também que dentro de um prazo de 60 dias convocará nova assembléia para avaliações.

Sem recursos

A eleição de ontem até que ocorreu num clima relativamente tranqüilo. Apesar da possibilidade de votos secretos, a grande maioria dos presidentes de federações (com exceção de Minas Gerais e Paraíba, que votaram pela chapa de Farani) fez questão de declarar seu voto.

Da maneira como foi realizada a assembléia, o advogado Paulo Rogério Amoretty, presidente da mesa, não acredita na possibilidade de recursos e não vê alternativas para Nastás tentar retomar o cargo. José Farani, por exemplo, sequer se dispôs a comparecer na eleição, já parecendo conformado com a derrota.

As federações que votaram por Jorge Lacerda da Rosa foram as de Alagoas, Amazonas, Bahia, Brasília, Santa Catarina, Ceará, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Pará, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Tocantins. Pela chapa de José Farani votaram Amapá, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe, São Paulo e a Paraíba, que era um voto anunciado à oposição e não se confirmou.

Profissionais voltam à Davis

Brasília – Um dos reflexos imediatos da saída de Nelson Nastás da presidência da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), com a eleição de Jorge Lacerda da Rosa, será a volta dos principais tenistas do País à equipe da Copa Davis. Gustavo Kuerten já avisou, ainda nos EUA, antes de embarcar para o Brasil, que estará totalmente à disposição da nova diretoria da entidade e, se tiver condições físicas, poderia até jogar diante da Colômbia, de 4 a 6 de março, em Bogotá. Mas, como Guga ainda não deverá estar apto para disputar competições em março, é provável que apenas acompanhe o time, que terá a volta dos titulares Ricardo Mello, Flávio Saretta e André Sá. O novo técnico e capitão poderá ser Larri Passos, que em Brasília partiu como o mais forte candidato a ganhar este posto no próximo ano.

"Espero que esta nova presidência da CBT faça tudo o que sempre esperei da diretoria anterior", disse Guga, nos Estados Unidos, onde passou por mais uma etapa da recuperação de sua cirurgia no quadril. "Vou torcer para que seja uma reviravolta no tênis brasileiro."

Jogadores como Saretta e Ricardo Mello já haviam declarado que voltariam ao time brasileiro assim que Nastás fosse afastado do comando da CBT. A nova administração da entidade, inclusive, terá a participação efetiva de jogadores, como é o caso de Thomaz Koch e Fernando Meligeni, que irão fazer parte da direção técnica.