Belo Horizonte – Quando ainda treinava em um pequeno campo próximo a sua casa, na cidade de Ipatinga, Vale do Aço mineiro, o garoto Kerlon Moura Souza estava decidido a criar uma jogada revolucionária no futebol, a exemplo da bicicleta, de Leônidas da Silva, e do elástico, de Rivelino.

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Com a ajuda do pai, Silvino de Souza, seu primeiro treinador e grande incentivador, ele desenvolveu a técnica de conduzir a bola com a cabeça.

Atualmente, a jovem promessa do Cruzeiro diz que é capaz de correr cerca de 100 metros controlando a bola com cabeçadas. O malabarismo foi aplicado pela primeira vez no campeonato sul-americano sub-17, disputado recentemente na Venezuela. A jogada surpreendeu os zagueiros adversários e deixou muita gente boquiaberta. A ponto de treinadores, comentaristas e dirigentes rasgarem elogios ao garoto. Alguns exageram e chegam a dizer que Romário, que se despediu da seleção brasileira na quarta-feira, pode estar ganhando um substituto. Muito cedo para para tal análise.

Invariavelmente, o atacante só era parado com falta no sul-americano. Kerlon terminou a competição como a principal estrela da conquista brasileira e voltou para Belo Horizonte com os títulos de artilheiro (oito gols em sete jogos) e melhor jogador do torneio.

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Dezessete anos completados em janeiro, ele só não treina ainda com o grupo profissional porque o técnico Levir Culpi ainda acha prematuro promovê-lo à categoria principal. Para o treinador, Kerlon ainda precisa mostrar que é um jogador extra classe e cita o exemplo do fenômeno Ronaldo, que aos 16 anos já jogava no time titular do clube mineiro. Mas Levir dá a entender que a chance não deverá demorar muito. "Vejo o Kerlon como um jogador acima da média para a idade dele. Se mostrar qualidade técnica, física e personalidade, vai jogar tranqüilamente."

O jovem atacante, que começou a jogar futebol no Usipa e passou por outros times (Aciaria e Ipatinga) da região, chegou ao Cruzeiro em agosto de 2001. Tinha apenas 13 anos na época em que foi aprovado no teste. Desde então, recebe elogios e conselhos comuns aos futuros craques. No ano passado, assinou um contrato de dois anos de duração com o clube, que possui a preferência de renovação por mais três.

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Como qualquer outro jogador, ele sonha com a seleção brasileira principal, mas prefere manter os pés firmes no chão. "Estou pensando mesmo é no mundial da minha categoria". Quanto à sua já marca registrada, promete não abandoná-la, apesar de algumas advertências, como a de Levir, que elogiou o drible, mas disse que Kerlon corre o "risco de ficar sem a cabeça qualquer hora dessas".

O atacante revela que, a princípio, sua intenção não era lançar a jogada no sul-americano. "Não agüentei, mas não apareceu tudo ainda, tem mais coisas para mostrar", avisa.

O que falam da jogada

 – No Palmeiras, o zagueiro Leonardo diz: "Nunca pensei no que fazer. Acho bem difícil tirar a bola dele sem fazer falta. Tem que tentar no ombro a ombro, acho que é o único jeito".

Gabriel, outro zagueiro: "Achei um lance diferente, até engraçado. E acho que só com falta mesmo pra tirar a bola dele. Ou tentar com o pé lá em cima, mas o juiz vai dar lance perigoso".

O meia Marcinho: "É uma característica dele, assim como o Robinho com as pedaladas. Quando a bola está no chão até dá para tirar, mas no alto… só se der uma voadora". O zagueiro Nem tem outra teoria: "Tem que ser rápido para subir e tirar com a cabeça. Mas tem que ser no tempo certo".

Para o volante Josué, do São Paulo, a maneira que Kerlon inventou para dominar a bola é típica do futebol brasileiro. "É de habilidade impressionante". Mas como marcador, a admiração vira preocupação: como tirar a bola do garoto? "Tem que tentar desequilibrar, ir no corpo, fazer o quê? Dar um chute é que eu não posso…"