Acostumado a roubar a cena quando concede entrevistas, o presidente Juvenal Juvêncio não decepcionou nesta quinta-feira e brindou os jornalistas que acompanhavam a apresentação de Paulo Autuori como novo técnico da equipe. Logo ao iniciar seu discurso, ele deu dicas de estar em um dia “inspirado” e lembrou as críticas que vem sofrendo pela troca constante de treinadores desde a saída de Muricy Ramalho em 2009 – foram sete técnicos no período.

Ao explicar os motivos de preferir Autuori a Muricy Ramalho, Juvenal disse ter usado a razão e afirmou ter respeito enorme pela torcida, mas deixou claro: quem manda é ele e não é a pressão popular que o faria mudar de ideia. “O São Paulo tem gestor, tem pessoas que gostam, tem pessoas que não gostam. E o gestor quis o Autuori. E eu pergunto, “não ao Autuori por quê?”. Tenho grande respeito pela torcida, e torcida é paixão, administração é razão, há uma dicotomia frontal e definitiva. Quando decidimos pelo Autuori, decidimos pelo profissional e pelo cidadão que todos conhecem. O São Paulo está vivendo um mal momento, está ruim, perdemos aqui, acolá e quem vai ao campo não está satisfeito; o abatimento da torcida é grande e vejo até um certo incentivo para que a torcida se rebele não com os atletas, mas com os dirigentes. Sei ler isso nas linhas e entrelinhas e com muita agudez, mas isso faz parte do nosso cotidiano: os atletas ganham e os dirigentes perdem. Isso é desde a época de Princesa Isabel, mas estamos acostumados”, disse.

Nem mesmo o Corinthians passou ileso à língua ferina do dirigente. Ao tentar explicar as razões de tantas trocas, Juvenal defendeu o trabalho e disse que as movimentações eram necessárias até se acertar e, munido de um papel, citou as trocas no rival até iniciar a fase de sucesso de Mano Menezes e Tite.

“Vocês não me perguntaram, mas eu vou falar, vamos um pouco às estatísticas que ninguém gosta? Em 2003, Geninho foi contratado pelo Corinthians e ficou nove meses. Em seguida, veio Junior, dez dias. Juninho Fonseca, quatro meses. Depois, Oswaldo de Oliveira, três meses. Tite, dez meses. Depois veio o Passarella, ficou dois meses. Marcio Bittencourt, quatro meses. Lopes, cinco meses. Adhemar Braga mais dois meses. Geninho, três meses. Leão, nove meses. Depois, Carpegiani… cinco meses. Zé Augusto, um mês. Nelsinho Baptista, três meses. Aí veio o Mano Menezes, que ficou um ano e meio (na verdade dois anos e meio), Adilson Batista, três meses, e agora está o Tite, que ficou como o Muricy. Pensei que vocês iam falar sobre isso”, ironizou, esquecendo-se que a troca frequente de técnicos acabou justamente quando o rival alvinegro foi rebaixado.

A postura de confronto de Juvenal também encontrou eco quando ele foi perguntado se as posturas da direção não estariam ajudando o time a não conseguir os resultados. Ele se defendeu e disse que a imprensa costuma dar pouco crédito às suas realizações.

“Deixo vocês livres para perguntar para qualquer jogador se há algum descontentamento, se o tratamento não é igual do Rogério Ceni ao anônimo, se o jogador não é punido, se os salários não são pagos em dia e os bichos no vestiário, se não ficam nos melhores hotéis, seus campos de treinamento, a fisiologia do esporte, o Reffis, Cotia. Onde está a deficiência? Esse presidente vai embora logo e alguns ficarão satisfeitos e vou louvá-los porque o mundo não é diferente dos demais. Reformulamos à equipe há um ano e meio e só sobrou o Rogério, mas isso foi muito pouco divulgado”.