Para conseguir o supermando e consequentemente o direito de jogar sete partidas da fase decisiva do estadual na Arena, o Atlético teve que recorrer até a mais alta esfera da Justiça Desportiva.

Atuar em seu campo e com o apoio do torcedor era considerado de fundamental importância para que o time reconquistasse a hegemonia no Estado. O pensamento continua igual, mas alguns jogadores, no atual momento, agradeceriam atuar fora de casa para não sentir tanta pressão.

Passadas quatro rodadas do supermando, a sincronia torcida e time está desajustada. O torcedor continua comparecendo em bom número, tanto que em pleno domingo de Páscoa 13 mil pessoas estavam na Baixada para empurrar a equipe diante do Nacional. E assim tem sido neste campeonato.

Em todas as partidas na Arena, o público é superior a 10 mil espectadores – uma das vantagens do bem sucedido plano de sócios. No entanto, como o time não vem apresentando um bom futebol, o apoio da torcida tem se transformado numa massa crítica e que não perdoa erros.

Vaias e xingamentos a jogadores têm ecoado no estádio e isso tem comprometido o rendimento de alguns atletas. E olha que o Furacão é líder da competição.

Inteligência

A vaia é um direito do torcedor que paga para ver seu time e incentiva até o seu limite. Depois a maneira de descarregar o descontentamento é xingando, gritando e vaiando.

Fato normal no futebol. Porém após a vitória contra o Nacional, o técnico Geninho expôs sua teoria de que a torcida rubro-negra tem que ser mais inteligente nesta fase tão importante e decisiva do campeonato e chamou a atenção porque em alguns momentos o torcedor estaria jogando contra.

“Eu respeito a manifestação do torcedor porque ele tem direito. Agora tem que ser inteligente e saber se a manifestação feita de maneira antecipada, e não no final do jogo, pode ajudar ou prejudicar o time. Se a torcida jogar contra o time da casa, acho que é uma vantagem ao adversário porque não são todos os jogadores que sabem administrar isso. Uns convivem melhor com a crítica e uns se abatem”, analisou o treinador que citou o caso do garoto Fransérgio, recém lançado ao profissional. “Quando é que esse menino vai ter tranquilidade para jogar e se transformar num craque. Ele precisa de apoio e não apenas da comissão técnica. Quantos jogadores o Atlético já perdeu porque a torcida não teve paciência com eles”, questionou o treinador.

Um dos jogadores mais perseguidos pela torcida é o ala/meia Netinho, que pode não estar numa boa fase mas sempre, independentemente do momento do time, é um dos porta-vozes da equipe. Segundo ele, o elenco sabe que precisa evoluir para mudar esse relacionamento com o torcedor, o que é o mais importante nesse momento.

“Tem que colocar a cabeça no lugar e ver o que a gente errou. E erramos muito no jogo. Nós temos essa consciência que precisamos melhorar; não é só a torcida e vocês (jornalistas) que falam isso”, finalizou.