As falhas da defesa, setor que costumava ser o mais regular do Corinthians, foram decisivos para a derrota diante do Santo André, por 2 a 0, na noite deste sábado, pela segunda rodada do Campeonato Paulista. Foi a primeira derrota do time em 2017. A equipe teve dificuldades para criar, abusou das jogadas aéreas e desperdiçou um pênalti com Jô quando perdia por 1 a 0. No final, a equipe saiu vaiada.

Para superar a falta de ritmo de seus jogadores, o Corinthians decidiu explorar a bola aérea, lance que o técnico Fábio Carille tem treinado constantemente. Afinal, foi assim que o Corinthians conseguiu furar a retranca da Caldense na vitória por 1 a 0, quarta-feira, pela Copa do Brasil. Nos escanteios, a equipe levava cinco grandalhões com pelo menos 1,80m de altura. Entre eles, Balbuena, Pablo, Moisés, Marlone e Jô. A pressão e o sufoco, no entanto, não renderam nenhuma chance clara de gol. Foram apenas dois momentos, sempre com Jô, no início do jogo.

O Santo André usou exatamente a mesma estratégica e foi muito mais eficiente. O visitante conseguiu o gol na primeira chance que teve. Aos 11 minutos, em cobrança de falta de longe, Reniê desviou para o meio da área e Edmilson completou para o gol. A vantagem no placar, conquistada no início do jogo, foi a senha para que o time visitante apostasse todas as fichas na marcação e jogar nos contra-ataques.

Levar um gol dentro de casa atrapalhou a organização tática do Corinthians. A equipe demorou para voltar a trocar passes com velocidade e procurar espaços pelos lados do campo. A chance da igualdade veio em uma falha individual da zaga do Santo André. Deivid empurrou Marlone, e o árbitro assinalou pênalti. Na cobrança, Jô foi previsível e o goleiro Zé Carlos fez a defesa – no jogo de estreia, o atacante havia convertido a penalidade diante do São Bento.

A partida seguiu a mesma toada até o final do primeiro tempo: o Corinthians controlava a posse de bola, criava chances, mas não conseguia finalizar sem forte marcação. O time apresentava problemas recorrentes, como a dificuldade para organizar as jogadas e falta de aproximação dos meias com o atacante. A equipe da casa apresentou falhas comuns, como o problema de posicionamento no gol do Santo André. O meia Jadson, que foi apresentado oficialmente antes da partida, assistiu ao jogo dos camarotes do estádio e fez muita falta dentro de campo. A bola não chegava clara e limpa para o atacante Jô.

Fábio Carille tentou consertar a distância entre criadores e finalizadores com a entrada de Guilherme no lugar de Fellipe Bastos no intervalo. Por contusão, Marlone deu lugar para Kazim. O Corinthians conseguiu “povoar” a área do adversário, mas o problema passou a ser a finalização. Aos 6, Rodriguinho acertou bom chute rasteiro, e o goleiro Zé Carlos, um dos destaques do jogo, espalmou para escanteio. Foi apenas o único bom momento do Corinthians no segundo tempo.

Aos 22 minutos, Claudinho, atacante de 20 anos que pertence ao Corinthians, mas está emprestado ao Santo André, definiu a vitória em uma jogada de linha de fundo após falhas de Fagner e Pablo.

A derrota fez o Corinthians estacionar nos três pontos ganhos no Grupo A, no qual passou a dividir a liderança com o Botafogo, sendo que a equipe de Ribeirão Preto está em vantagem nos critérios de desempate por ter melhor saldo de gols. Já o Santo André, que acumula cinco pontos por já ter disputado uma partida antecipada da terceira rodada, se manteve invicto e assumiu o topo provisório do Grupo C.

Na próxima quarta-feira, às 19h30, no Itaquerão, o Corinthians buscará a reabilitação diante do Novorizontino na terceira rodada do Paulistão. Já o Santo André, por já ter atuado pela terceira rodada, voltará a jogar apenas no próximo dia 19, contra o São Bernardo, às 10 horas, em casa.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS 0 x 2 SANTO ANDRÉ

CORINTHIANS – Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Moisés; Gabriel, Fellipe Bastos (Guilherme), Rodriguinho, Marlone (Kazim) e Marquinhos Gabriel: Jô.

Técnico: Fábio Carille.

SANTO ANDRÉ – Zé Carlos; Cicinho, Reniê, Leonardo e Paulinho (Diogo Orlando); Baraka, Dudu Vieira, Fernando Neto e Eduardo Ramos; Deivid e Edmílson (Claudinho)

Técnico: Toninho Cecílio.

GOLS – Edmilson, aos 11 minutos do primeiro tempo, e Claudinho, aos 22 do segundo.

ÁRBITRO – Salim Fende Chavez.

CARTÕES AMARELOS – Eduardo Ramos e Rodriguinho.

PÚBLICO – 18.271 pagantes.

RENDA – R$ 798.997,30.

LOCAL – Itaquerão, em São Paulo.