Belém – O triplista Jadel Gregório deu show em Belém, saltando ao som de música árabe, agradecendo a Alá pelo ouro e regendo as palmas do público.

Desde que virou muçulmano Jadel vem incorporando, aos poucos, os hábitos de sua nova religião ao atletismo. Ontem, o público que foi ao Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, para o 21.º Grande Prêmio Brasil de Atletismo, viu Jadel ganhar a medalha de ouro no salto triplo, com 17,40 m, saltando ao som de música árabe. "Eu mesmo pedi à organização", comentou o triplista que, agora, levanta as mãos aos céus, após o salto."Bismilerre Rahmeni Rahin" ou "com a graça e a força de Deus", disse, agradecendo a Alá. "Isso, mais o barulho do público é um conjunto positivo, uma energia boa, cria um clima a mais", afirma Jadel, que regeu as palmas da torcida (35.030 pessoas foram ao Mangueirão) e foi o principal destaque da competição.

Com a família da mulher, Samara, de origem libanesa, vem aprendendo palavras em árabe, principalmente com a sogra Sihan, a quem vai perguntar como se fala vitória na língua dos muçulmanos. Também confirmou que seu novo nome será Jade (sem o l) Abdul Ghani Gregório.

"Ainda não tive tempo de mudar a documentação. Mas será Jade porque é um nome árabe." Jadel chegou, inclusive, a convocar "os árabes-muçulmanos" a irem ao Ibirapuera, em São Paulo, no Troféu Brasil de Atlestismo, de 16 a 19 de junho.

O casamento com Samara, os treinos, os resultados, tudo tem saído bem, afirma Jadel, de 24 anos, que se considera em boa fase e acha que ainda pode melhorar. "Ainda não estou totalmente lapidado." Em 23 dias, Jadel fez quatro melhores marcas do ano no salto triplo (17,40 m, em Belém, 17,46 m, em Fortaleza, 17,58 m, no Rio e 17,71 m, em São Paulo) e quatro de suas cinco melhores marcas da carreira (a melhor delas é de 2004, 17,72 m). "Foi uma semana um pouco estressante, mas muito marcante. Consegui fazer os melhores saltos do mundo." Sobre ter queimado dois dos quatro saltos que deu hoje, disse apenas que é "vontade de saltar mais longe", ímpeto que pode levar ao erro.

O Brasil ganhou mais duas medalhas de ouro, ontem, além da conquistada por Jadel. Fabiano Peçanha, além do resultado, cravou o índice A para o Mundial (1min45s40), nos 800 m, que ainda não tinha. E Redelen dos Santos venceu os 110 m com barreiras, com o excelente tempo de 13s30. Além das medalhas, o Brasil deixou a competição com mais quatro atletas classificados para o Mundial de Helsinque (FIN), em agosto, todos com índices A (o mais forte): Fabiano Peçanha, nos 800 m, Anderson dos Santos, o quinto colocado nos 400 m (45s41), Lucimar de Moura, segunda nos 200 m (22s86) e Bruno Nascimento Pacheco, medalha de bronze nos 200 m (20s57).

Entre os estrangeiros, Christine Amertil, da Bahamas, quebrou o recorde do torneio nos 400 m (50s65). Na mesma prova, Tayler Christopher fez o recorde nacional de seu país, o Canadá (44s72). No salto triplo feminino, o recorde do torneio foi quebrado por Trecia Smith, da Jamaica (14,81 m). Nos 3.000 m com obstáculos, prova que nunca havia sido disputada no GP Brasil, foi estabelecido novo recorde, com a jamaicana Mardrea Hymann (9min46s97).