Quando Cesare Prandelli disse, depois do jogo contra o Brasil, que se a Itália tivesse mesmo de enfrentar a Espanha tentaria ficar com a bola mais tempo do que o adversário, não se tratava de uma bravata. Mais do que ninguém, ele sabe que sua equipe é uma quando controla a posse de bola e outra quando não controla. Por isso, ditar o ritmo do jogo é uma questão de sobrevivência para a Azzurra.

O treinador deixou para trás o catenaccio (cadeado em italiano, termo usado para designar “retranca”) que era a marca principal da Itália, com cães de guarda no meio-campo, para apostar em jogadores leves e que sabem o que fazer com a bola. Quando as coisas dão certo, o time envolve o adversário e cria chances de gol – como na estreia diante do México no Maracanã e no segundo tempo contra a seleção brasileira. Mas quando não dão a equipe sofre por não ter grandes marcadores no meio-campo para recuperar a bola.

Entre os meio-campistas que Prandelli trouxe para a Copa das Confederações não há um Gattuso ou um Ambrosini, para citar dois cabeças-de-área recentes da Azzurra. São jogadores que mais saem para o jogo e tocam a bola do que marcam, como De Rossi, Pirlo, Montolivo, Aquilani, Marchisio, Candreva, Giaccherini e Diamanti. Nesta competição, por necessidade ou circunstâncias da partida, só os dois últimos não foram usados na primeira linha à frente da defesa.

Prandelli quer um time ousado, que construa o jogo, e para isso está bem servido com os meio-campistas que escolheu. Seu desafio é tornar a equipe compacta o suficiente para seguir o exemplo da seleção espanhola e do Barcelona na hora de recuperar a bola, com dois ou três homens prontos para pressionar o adversário que a tiver nos pés para roubá-la o mais longe possível de sua área.

A Itália ainda não atingiu esse grau de funcionamento coletivo, por isso sofre até contra adversários inferiores tecnicamente como República Checa e Haiti – dois jogos recentes em que viu o oponente jogar e teve sorte em não perder (foram dois empates, por 0 a 0 e 2 a 2). E se a condição física geral do time não é boa como agora, o drama de correr atrás da bola só aumenta. Ainda mais se a temperatura for alta como a delegação encontrou neste domingo ao desembarcar em Fortaleza, na casa dos 31 graus.

Nas palavras do treinador, ficar 90 minutos se defendendo é uma agonia. Poderia não ser se seu time fosse moldado para isso, mas como ele fez a louvável opção pela coragem a equipe terá de dar um jeito de não deixar a Espanha esconder. Por uma questão de sobrevivência.