Anderson Tozato
Apesar de tudo, Alexandro ainda acredita nas promessas de Aurélio Almeida. No detalhe, rato na área.

A energia elétrica sofre seguidos cortes, as instalações são precárias, ratos circulam pelos cantos. Alguns reclamam de falta de comida. A tristeza do cenário na concentração do Real Brasil só não é maior que a fé de jovens candidatos a craques, escondidos nos corredores do estádio da Federação Paranaense de Futebol.

No Real Brasil, jogar futebol é um investimento de R$ 6.600 anuais. Por este valor, os atletas moram na concentração montada ao redor do Pinheirão, recebem comida e uniforme. Poucos deles terão longa vida no profissionalismo. ?É como uma faculdade. Você investe, mas não sai de lá com emprego garantido?, reconhece o controvertido empresário Aurélio Almeida, ex-jogador de futebol, ex-técnico em países como Bolívia, Belize, Costa Rica e México e que presidiu clubes em Ponta Grossa, Toledo e Maringá. O dirigente acumulou problemas e queixas de inadimplência em todas as cidades, os quais justifica pelo endividamento anterior dos clubes.

Convivem simultaneamente no Real jogadores profissionais, que recebem salário, e os inseridos no ?projeto?, como denomina Aurélio. O projeto reúne cerca de 50 jogadores de variadas idades, que pagam a anuidade (pode ser parcelada, salienta o dono) movidos pela expectativa de atuar no Exterior. No site oficial, o clube promete que o atleta ?participará de excursões nacionais e internacionais? e que, ao final do período de teste, ?será avaliado e poderá ser profissionalizado no Real Brasil ou ainda negociado com uma das grandes equipes do futebol brasileiro?. O empresário, que tem ligações com equipes mexicanas, diz que não tira lucro do pagamento anual. ?Dá R$ 17 por dia. Só ganhamos bem quando conseguimos vender dois ou três jogadores para o Exterior?, conta.

Nem sempre a história funciona assim.

O atacante Alexandro (que prefere não revelar o nome completo), 23 anos, jogava campeonatos amadores em Foz do Iguaçu. Juntou as parcas economias, largou o sítio onde trabalhava com a família e se aventurou no ?projeto? de Aurélio. Quatro meses depois, ainda não disputou um amistoso sequer com a camisa do Real. Só não desiste porque acredita nas promessas do dono do time. ?Aurélio disse que no ano que vem só o pessoal do projeto vai jogar. Aí é a chance de aparecer?, espera.

Enquanto isso, Alexandro segue treinando à espreita de uma oportunidade de mostrar o valor – sugere até participar de um programa de TV para oferecer seus serviços. ?O jeito é dar a cara pra bater logo. Vou tentar mais alguns meses, senão voltou para o sítio cuidar do meu pai, que está doente. Viver só de ilusão não dá?.