Para voltar a ser vencedor, o Paraná precisa de uma reestruturação completa. A opinião é unânime entre figuras históricas do clube, que vivenciaram os tempos áureos do time na década de 90 e que hoje torcem por uma virada nos rumos paranistas.

Naquele tempo, o Tricolor não apenas ganhava tudo dentro de campo, como era apontado como referência nacional em termos de organização e profissionalismo. Os salários, sempre em dia, invejavam os rivais.

Um quarto de século depois da fusão entre Pinheiros e Colorado, o clube vive cenário desolador.

“Naquela época toda semana nos ofereciam jogadores. Os próprios atletas ligavam se oferecendo, dizendo que estavam livres, pedindo uma oportunidade. Não apenas os salários, como todas as premiações por vitórias eram pagos em dia”, relembra o ex-treinador Otacílio Gonçalves, que comandou a equipe em quatro passagens diferentes, entre 1991 e 2003.

Tigre da Vila

“Todos os amigos que jogavam em outros clubes me ligavam”, reforça o ex-atacante Saulo, maior artilheiro da história do Tricolor, com 104 bolas na rede.

Momentos que ficaram apenas na memória de quem viveu.

Em 2014, o aniversário de 25 anos do clube reserva poucos motivos para comemoração. Com situação financeira precária e ambiente interno turbulento, os tempos são de incertezas.

“O Paraná começou com muita tradição e dinheiro. Agora, o time precisa realmente se reestruturar e ter os pés no chão. Pagar aquilo que pode e falar a verdade para o torcedor. E pagar em dia, senão as coisas não vão mudar”, analisa o Tigre da Vila.
Os argumentos do ex-camisa 9 são reforçados por outro ícone tricolor, o ex-volante Hélcio.

“Sinto o clube com um ambiente político muito instável, com muita mudança no comando. Fico triste, porque falo para todo mundo que é um time de tradição, de camisa, muito bom para se trabalhar”, analisa Hélcio.

“É triste, porque conhecemos o clube e sabemos da grandeza. O Paraná precisa voltar para a primeira divisão, que é o seu lugar”, reforça o ex-atacante Maurílio.