Uma história viva da imprensa paranaense, o jornalista Levi Mulford Chrestenzen completa no mês que vem 90 anos de vida. O apaixonado pelo futebol amador, que viu de perto grandes transformações do esporte no Estado, escreve para a Tribuna do Paraná desde a primeira edição do jornal, que foi publicada no dia 17 outubro de 1956. Dedicado a registrar os acontecimentos dos campeonatos amadores desde a década de 1940, seu Levi chegou, em certa ocasião, a se recusar a entrevistar ninguém menos do que Pelé. “Só falo do amador”, enfatizou à Tribuna do Paraná.

Guardião da memória do futebol amador, o neto de italianos e dinamarqueses, nascido no bairro Juvevê, possui em sua casa uma espécie de museu dedicado ao universo da bola no Paraná. Diversas prateleiras abrigam livros feitos por ele mesmo com anotações, recortes de jornais, fotos e lembranças dos 78 anos de história da Liga Amadora de Curitiba, que teve seu início em 1941, além de páginas também dedicadas ao futebol profissional com a história de Athletico, Coritiba e Paraná Clube.

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Mesmo em um ritmo mais lento, Levi não abre mão de seguir sua rotina de trabalho. “Todas as manhãs vou até a banca de jornal, compro a Tribuna do Paraná, volto para a casa, faço meus recortes e depois escrevo minha coluna para o jornal do dia seguinte”, garantiu o jornalista, que disse que hoje em dia, por conta da idade. faz tudo com mais paciência e ‘em câmera lenta’.

Levi é autor de livros que registram a evolução do futebol no Estado, entre eles a enciclopédia “Futebol do Paraná – 100 anos de história”, que escreveu em parceria com o professor e historiador Heriberto Ivan Machado.

Levi Mulford faz parte da história da Tribuna do Paraná. Foto: Gerson Klaina
Levi Mulford faz parte da história da Tribuna do Paraná. Foto: Gerson Klaina

A temporada do amador só começará em julho, mas ele já está animado. Ainda que não tenha a mesma disposição para ir acompanhar ‘in loco’ as partidas, não abre mão do seu radinho para poder estar por dentro da competição.

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Uma das muitas histórias curiosas que Levi carrega em sua longa trajetória no esporte foi o dia que se recusou a entrevistar Pelé, como contou ao repórter Edilson Pereira, em 2014. O ano era 1959 e o Santos veio a Curitiba para realizar uma partida comemorativa com o Coritiba, no Alto da Glória. O Peixe estava em alta e Pelé havia sido campeão do mundo um ano antes na Suécia, na primeira Copa conquistada pela seleção brasileira.

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O jornalista Albenir Amatuzzi, responsável pela editoria de esportes da Tribuna, fez um pedido a Levi Mulford: “Dê um pulinho lá no vestiário do Santos, onde o Pelé está dando entrevista. Fale com ele e comece daqui em diante fazer cobertura do futebol profissional”. O jornalista então respondeu: “Não. Eu não vou. Minha área é o futebol amador. Eu sou da várzea”, deixou claro o dono da coluna ‘Suburbana’.

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Para quem deseja chegar aos 90 anos com a mesma disposição, o jornalista deu a dica. “É preciso se cuidar, não exagerar e não desistir, indo devagar e sempre”, explicou o quase centenário, que não vai deixar de lado sua paixão pelo esporte ‘da várzea’ nem mesmo pela idade.

“Não vou parar. Vou continuar cobrindo o futebol amador até quando eu puder”, arrematou.

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