Que ninguém espere um Lewis Hamilton desesperado para fazer ultrapassagens na corrida da madrugada deste domingo em Fuji, com largada prevista para 1h30 de Brasília, início da próxima madrugada. O inglês já decidiu: ao contrário do que fez no ano passado, vai correr com a cabeça nas três provas que encerram o mundial de F1.

Em 2007, o inglês da McLaren saiu do Japão com 107 pontos, contra 95 de seu então companheiro Fernando Alonso e 90 de Kimi Raikkonen, da Ferrari. Era o virtual campeão, no ano de estréia – uma proeza. Tal vantagem, no entanto, derreteu nas duas últimas corridas tal qual as bolsas nestes dias de hecatombe econômica mundial.

Na etapa seguinte, em Xangai, cometeu um erro besta na entrada dos boxes e abandonou. Depois, em Interlagos, foi afoito no início da prova ao tentar passar Alonso, perdeu posições, depois apertou um botão errado que desligou o carro na reta e terminou em sétimo.

Resultado: Raikkonen, que já havia vencido na China, ganhou também no Brasil e fechou o campeonato com 110 pontos, contra 109 do jovem britânico. Estava, duas corridas antes, 17 pontos atrás dele.

Hoje a vantagem de Hamilton sobre o segundo colocado, Felipe Massa, é de sete pontos. Bem menor, mas que aumenta diante do tom do discurso que adotou para a reta final do mundial.

“Não preciso ganhar corridas, e se for preciso administrar meus resultados, vou fazer isso”, disse. “Aprendi muito com meus erros do passado e na última prova, em Cingapura, tive de me controlar para segurar o terceiro lugar e não partir para tentar o segundo. Não era necessário, e a equipe me fez ver isso.”

Ron Dennis, seu chefe, disse ontem em Fuji, depois dos primeiros treinos livres (que tiveram domínio da Toyota, com Timo Glock; o grid sairia na madrugada de hoje, por volta das 3h, após o fechamento desta edição), que nunca viu seu time tão “focado e motivado” quanto agora, e que “o clima de camaradagem entre todos” será fundamental na luta pelo título. “É esse clima que quero ver nas últimas três corridas, além da nossa vontade de ganhar, claro.”

Para Massa, a nova atitude de Hamilton não é uma surpresa. “Ele já perdeu um campeonato no ano passado e sabe que precisa ser maduro agora. Quanto a mim, vou lutar para vencer e para que a gente consiga dobradinhas”, falou, apostando numa recuperação de seu apagado companheiro Raikkonen, que há quatro etapas não consegue marcar pontos.

Matematicamente, o campeonato não pode ser decidido na madrugada de amanhã em Fuji. Se Hamilton vencer e Massa não pontuar, por exemplo, o inglês abre 17 pontos com 20 ainda em disputa. Mas Lewis não se preocupa com vitória. Pretende, apenas, “marcar” Massa de perto, como já fez nos treinos livres – andando à frente do brasileiro, inclusive.

Mesmo se chegar atrás, o que importa para o piloto da McLaren é não deixar a vantagem diminuir demais. No ano passado, ele ganhou o GP do Japão, debaixo de chuva.