Há 30 anos, o Couto Pereira recebia o maior público da história do futebol paranaense. No dia 15 de maio de 1983, Atlético e Flamengo se enfrentaram pelo Campeonato Brasileiro e levaram nada menos do que 65.493 pessoas ao estádio do Coritiba.

As duas equipes disputavam uma vaga na grande final do Brasileirão e era a primeira vez que o Furacão ia tão longe no torneio. Além disso, o Flamengo era o atual campeão brasileiro e um ano antes havia conquistado o Mundial de Clubes.

Na época, o rubro-negro carioca dominava o futebol nacional. Comparando, era uma espécie de Barcelona dos anos 1980, pela quantidade de craques que tinha na equipe e pelas multidões que arrastava aos estádios. Tudo isso, aliado a uma das melhores equipes que o Furacão já montou em sua história, sob o comando da dupla Washington e Assis, serviu de ingrediente para superlotar o Couto Pereira.

Nem os catarinenses ficaram indiferentes ao jogo. Do estado vizinho, onde o Flamengo tem tradicionalmente uma grande torcida, vieram imensas caravanas de ônibus para ver Zico, Júnior, Adílio e companhia jogar.

Do lado do Atlético, a comoção também era forte. O fato de o time ter perdido o primeiro jogo da semifinal, no Maracanã, por 3 x 0, o que obrigava o Furacão a repetir o placar em Curitiba, não desanimou os rubro-negros. Tanto que duas horas antes do início da partida -marcada para as 17h – não cabia mais ninguém nas arquibancadas do Couto Pereira.

O mar de gente surpreendeu até os jogadores. “Esperávamos o Couto Pereira lotado, mas não da forma que foi. Era impressionante”, relembrou o ex-meio-campo Assis, que, só de tocar no assunto novamente, disse ter ficado arrepiado. “Me arrepio. Aquilo estava fervendo, era uma emoção muito grande. A torcida do Atlético é muito empolgante. Muitas vezes ganhamos jogos com o apoio dela, porque contagia o atleta”, afirmou.

Com a bola rolando, o Furacão encurralou o Flamengo e fechou o primeiro tempo vencendo por 2 x 0, com dois gols de Washington. Bastava apenas mais um gol. Porém,… “Aquela partida foi o jogo da vida do Atlético. Tivemos chances, mas não deu”, lamentou Assis.