Paris – Com a sensacional vitória sobre o número 1 do mundo, o suíço Roger Federer, por 6/4, 6/4 e 6/4, Gustavo Kuerten fez renascer o sonho de mais um título em Roland Garros, o do tetracampeonato. A sua paixão declarada pelo torneio o levou a não só superar o talento do adversário, como também problemas físicos, com as constantes dores no quadril. O clima da quadra central, a Phillippe Chartrier, com torcedores gritando seu nome, num dia de sol, e uma atmosfera emocionante, deu o tom preferido para Guga executar o seu melhor jogo, com inspiração e show.

“Este é o torneio em que quero estar”, festejou Guga. “Não me importo com dinheiro ou pontos no ranking. Estar aqui e fazer atuações como esta têm um grande significado para mim.”

O jogo de Guga foi impressionante. Obrigado a usar uma tática ofensiva para não se desgastar muito em quadra e comprometer a lesão no quadril, o tenista brasileiro acabou voltando ao seu velho estilo. Ou seja, arriscar bolas fundas, bater com convicção e força. O resultado não poderia ter sido melhor. Deixou o número 1 do mundo, Federer, acuado, perdido no fundo de quadra e sem opções para evitar uma inesperada derrota.

“Acho que pela primeira vez na vida venci um número 1 do mundo em Roland Garros”, dizia um sorridente Guga. “Não sei como descrever o sentimento de ganhar um jogo como este, nas atuais condições. Um dia inesquecível.” Os gritos da torcida na quadra Phil-lippe Chartrier empurraram Guga para mais um resultado histórico em sua carreira. Mostrou, novamente, que a sua marca é a surpresa. Afinal, como esperar que nas atuais condições, com lesão, e vindo de resultados ruins, poderia chegar a Paris e levantar-se das cinzas para eliminar o número 1 do mundo.

“Não sei dizer o que sinto quando entro nesta quadra central. Desde o começo da partida, percebi que poderia seguir no torneio e foi assim até o final do jogo. Tenho de dividir com a torcida este resultado, num ano em que cheguei sem grandes expectativas.” Como chegou ao torneio sem alimentar esperanças, Guga já considera agora a possibilidade de reviver o sonho de lutar pelo título.

Na próxima rodada, na segunda-feira, vai enfrentar o espanhol Feliciano Lopez que ontem superou o sul coreano Hyung Taik-Lee (7-6 (7-3), 4-6, 6-0 e 6-3). Ou seja, por ter eliminado o número 1 do mundo, Guga agora abriu seu caminho no torneio e a esperança de ir longe tomou forma.

“Ele foi o melhor”, reconhece suíço

Paris – Número 1 do mundo e grande favorito ao título de Roland Garros deste ano, o suíço Roger Federer não procurou desculpas, ou justificativas, para a sua derrota diante de Gustavo Kuerten. Admitiu ter jogado o seu melhor, mas nem assim conseguiu avançar para a segunda semana do torneio.

“O Guga foi melhor”, admitiu Federer. “Fiz o que pude em quadra, mas não foi o suficiente para superá-lo.”

Surpreso com a tática de Guga, Federer disse que não conseguiu jogar como gostaria. Ou seja, bater a bola na altura da cintura, dominar os pontos e fazer o adversário correr de um lado para o outro.

Federer confessou que houve um motivo para não encontrar um jeito de impor seu estilo. “O Guga não me deu muitas chances”, admitiu.

Apesar de ser um dos favoritos ao título, Federer não contou com o apoio da torcida, que preferiu gritar pelo nome de Guga. O fato, porém, não incomodou o número 1 do mundo. “É um tenista que já ganhou por três vezes em Paris. É um cara bem divertido, simpático, e os torcedores gostam dele. Uma grande pessoa e que merece essa torcida toda.” CLM