Avaí e Cruzeiro fizeram neste sábado, na Ressacada, um jogo no qual o protagonista não foi nenhum jogador, treinador ou o árbitro. O gramado encharcado, fruto das fortes chuvas que vêm caindo em Florianópolis, deixou o confronto imprevisível, brigado e feio. No fim, o empate por 1 a 1, pela 33.ª rodada do Campeonato Brasileiro, foi justo pelo pouco futebol que ambas as equipes puderam apresentar.

O resultado não foi dos melhores para nenhum dos dois lados, mas acabou sendo pior para o Avaí, que chegou a 35 pontos, em 16.º, e pode terminar a rodada na zona do rebaixamento. No próximo sábado, viaja a Curitiba para enfrentar o Atlético-PR. Já o Cruzeiro ampliou a sequência invicta para nove partidas, subiu para 45 pontos e é o décimo. Domingo que vem, dia 8, recebe o São Paulo no Mineirão.

O desempenho de ambas as equipes foi atrapalhado desde o início pelo gramado encharcado. Com a forte marcação dos dois lados e a impossibilidade de tocar bola por causa do campo, as chances foram escassas. O Avaí até chegou primeiro aos 16 minutos, quando Romulo aproveitou erro de Manoel e tocou forte demais para André Lima.

Mas no geral, o primeiro tempo foi cruzeirense. Aos 17, Willian recebeu de frente para o gol, mas se complicou com o gramado, a bola travou na água e a defesa cortou. Aos 26, foi a vez de Marcos Vinícius sofrer com as condições do campo e pegar mal na bola.

Ao mesmo tempo que impossibilitava a elaboração de jogadas, a água também complicava as defesas, que erravam bastante. Aos 38 minutos, De Arrascaeta perdeu a melhor chance do primeiro tempo. A zaga do Avaí ficou indecisa após lançamento longo de Fabrício e o uruguaio ficou de frente para o gol. Só que ele também foi traído pelo quique da bola e não conseguiu finalizar como queria.

O Cruzeiro voltou diferente e bem mais incisivo para o segundo tempo. Com três minutos, chegou duas vezes. Na primeira, Willian foi lançado pela esquerda e encheu o pé, para fora. Na segunda, Antonio Carlos errou, traído pela poça d’água, e De Arrascaeta rolou no meio para Marcos Vinícius, que não soube aproveitar.

Mas justamente quando parecia que o Cruzeiro embalaria, o Avaí abriu o placar em um lance quase despretensioso. Manoel perdeu a bola na intermediária, Romulo ficou com ela e, sem espaço, encheu o pé de longe, desequilibrado, quase caindo para trás. A bola saiu forte, no ângulo esquerdo de Fábio, que só observou.

O gol minguou o ímpeto cruzeirense. O time perdeu a ofensividade do início do segundo tempo e passou a viver de lançamentos longos, como na etapa inicial. Mano Menezes, então, foi para cima, com as entradas de Leandro Damião e Julio Baptista. Aos 28 minutos, Damião começou a justificar sua entrada ao disputar uma bola no alto com Vagner. A sobra ficou com Willian, que perdeu mesmo sem goleiro.

Mas foi no minuto seguinte que o centroavante mostrou faro de artilheiro. A arma usada pelo Cruzeiro foi a mesma: o lançamento longo. Willian foi mais rápido que Romário, aproveitou o cochilo do lateral e rolou para Damião. O atacante tocou de carrinho para a rede.

O gol até empolgou o Cruzeiro, que chegava nos contra-ataques. Mas era o desesperado Avaí que levava mais perigo. Aos 43, Anderson Lopes tentou de longe, mas Fábio espalmou a última boa chance da partida.

FICHA TÉCNICA:

AVAÍ 1 X 1 CRUZEIRO

AVAÍ – Vagner; Nino Paraíba, Antonio Carlos, Jubal e Romário; Renan (Anderson Lopes), Eduardo Neto, Camacho (Marquinhos) e Everton Silva (Tinga); Romulo e André Lima. Técnico: Gilson Kleina.

CRUZEIRO – Fábio; Ceará (Fabiano), Manoel, Bruno Rodrigo e Fabrício; Charles (Leandro Damião), Henrique, Ariel Cabral, Marcos Vinícius e De Arrascaeta (Julio Baptista); Willian. Técnico: Mano Menezes.

GOLS – Romulo, aos sete, e Leandro Damião, aos 29 minutos do segundo tempo.

ÁRBITRO – Raphael Claus (SP).

CARTÕES AMARELOS – Camacho, Eduardo Neto (Avaí), Charles, Marcos Vinícius (Cruzeiro).

RENDA – R$ 75.134,00.

PÚBLICO – 5.345 torcedores.

LOCAL – Estádio da Ressacada, em Florianópolis (SC).