GP confuso mantém disputa pelo campeonato

Ah, o que não faz uma chuvinha numa corrida de Fórmula 1… Graças à água, que nunca antes havia dado o ar da graça no GP da Hungria, disputado há duas décadas, a temporada 2006 teve domingo sua corrida mais divertida.

E que acabou com a primeira vitória de Jenson Button, o primeiro pódio de Pedro de la Rosa e o primeiro pódio da BMW Sauber.

Fazia tempo que uma prova da categoria não era disputada com pista molhada. Desde o GP dos EUA de 2003, em Indianápolis. Mas o dia amanheceu chuvoso em Budapeste e adjacências.

Bem-vindo, o temporal matinal. Encharcou a pista e virou a 13.ª etapa do campeonato de ponta-cabeça. Era para ser um GP duplo, aquele dos que largavam na frente e, no meio do pelotão, a disputa particular de Schumacher e Alonso. Mas, graças à habilidade de ambos no piso escorregadio, eles se juntaram à turma da frente num piscar de olhos. Já na primeira volta, Schumacher, 11.º no grid, passou em quarto. Fernando, 15º na largada, em sexto.

A prova teve ótimas ultrapassagens e brigas roda a roda no sinuoso traçado magiar. A maioria, na primeira bateria de pit stops, repetiu os pneus intermediários, porque a chuva ia e vinha, e a pista não secava. Mas, no fim, parou e começou a secar.

Quem fez o segundo pit stop na hora certa colocou pneu para piso seco. Quem parou antes, como Schumacher, repetiu os intermediários. Foi o que acabou com sua corrida. No fim, o alemão, em segundo, foi perdendo terreno com os pneus em frangalhos, sendo ultrapassado por vários carros, até tocar em Heidfeld e quebrar a suspensão.

Alonso, que largara como um foguete, assumiu a liderança quando Raikkonen parou a primeira vez e parecia que não ia largar mais. Mas na saída de seu segundo pit stop quebrou o semi-eixo. Com os favoritos caindo que nem moscas, sobrou para Button, que fazia uma corrida sem erros, colocando os pneus certos na hora certa.

E o inglês cruzou a linha de chegada em primeiro pela primeira vez na vida, depois de 114 GPs. ?Não sei nem o que dizer?, exultou, com De la Rosa, o segundo, e Heidfeld, o terceiro, festejando junto. Do lado dos derrotados, Alonso era o mais tranqüilo. ?O que aconteceu no meu carro é coisa de corrida. O importante é que não perdemos nada aqui.?

Isso até os comissários da FIA excluírem Robert Kubica da prova – seu BMW estava com peso menor do que os 600 kg mínimos. Schumi subiu para a oitava posição e agora tem dez pontos a menos. E agora só faltam cinco etapas para o fim da temporada.

Villeneuve sai da BMW; Webber é da Red Bull

Jacques Villeneuve não é mais piloto da BMW Sauber. Em comunicado divulgado ontem pela equipe, ambas as partes decidiram romper o atual contrato, que expiraria ao final do ano. O campeão mundial de 1997 já não disputou o GP da Hungria, anteontem. Ele ainda não estava totalmente recuperado do acidente que sofreu na etapa alemã, disputada no início da última semana.

Para o seu lugar, a escuderia pôs Robert Kubica, que teve um bom desempenho em Hungaroring. Terminou em sétimo, mas foi desclassificado porque seu carro terminou a prova abaixo do peso mínimo. ?Após o acidente de Jacques em Hockenheim, nós decidimos rever nossas opções para o próximo ano e efetivamos Kubica como títular?, disse Mario Theissen, diretor-esportivo da BMW.

Agora o futuro de Villeneuve é uma incógnita. Para seguir na Fórmula 1, o canadense teria se oferecido para a Toyota. Outra opção poderia ser a Renault, que está propensa a efetivar Heikki Kovalainen, atual piloto de testes do grupo. Outra ainda seria voltar a correr nos EUA, talvez na Nascar.

Red Bull

A Red Bull confirmou ontem que Mark Webber é o novo piloto do time a partir de 2007. O australiano vai ocupar a vaga que pertence a Christian Klien, austríaco que ?parou de evoluir?, segundo Dietrich Mateschitz, dono da marca de bebida energética.

Na verdade, Webber volta para sua casa. O piloto guiou na Jaguar, predecessora da Red Bull. Conhece boa parte dos mecânicos e engenheiros. ?Está claro que o time tem fome de sucesso?, falou o piloto. No ano que vem, a RB terá seu primeiro carro feito totalmente por Adrian Newey, tido como o mago da aerodinâmica na F-1. David Coulthard continua como titular do outro carro. O futuro de Klien é incerto.

FIA congela motores até 2009

A GPMA, grupo das montadoras, e a FIA chegaram a um acordo ontem pondo fim às discussões que continham ameaças de formação de uma série rival. O assunto motor foi a pauta da reunião entre as partes e consentiu-se em congelar seu desenvolvimento já a partir do fim desta temporada.

A partir do GP da China, nos motores ninguém mais mexe. As mesmas especificações serão usadas, portanto, no Japão, no Brasil e nas temporadas de 2007, 2008 e 2009. A única mudança, que será ratificada no regulamento da nova F1, é que as unidades terão uma limitação de 19 mil giros em 2008.

Ressalte-se que ?nova F1? é um termo designado para as alterações que serão promovidas na categoria em 2008, quando vigorará o novo Pacto da Concórdia. Por menores gastos, haverá apenas uma única fornecedora de pneus e uma ECU (Unidade de Controle Eletrônico) padrão para todos os carros.

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